A prática do dharma


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Do livro “Budismo com atitude“, de B. Alan Wallace. No contexto budista tibetano, existem vários critérios para diferenciar o que é dharma do que não é. Um dos critérios para o dharma é se uma teoria ou prática conduz ou não ao despertar espiritual.

Do ponto de vista tradicional, um outro critério para o dharma é algo que auxilia o despertar espiritual nesta vida ou além desta vida. Utilizando este critério, existem condutas e maneiras de ver a realidade que são benéficas para o que está além do contexto da vida atual.

Existe também um critério muito pragmático para determinar o que pode ser considerado dharma e que não depende da crença na iluminação ou na reencarnação. Esse critério está ligado a todos os eventos que são oportunos e proveitosos para o bem estar pessoal e dos outros. Quando tudo vai bem, existem maneiras de vivenciar uma alegria e satisfação mais profundas? Quando tudo vai mal, existe alguma coisa que podemos fazer para intensificar nosso bem estar geral? Modos de produzir um sentido de realização e significado durante os inevitáveis altos e baixos da vida também são considerados dharma.

Estes três critérios definem o dharma, mas não são exclusivos do budismo. O dharma pode ser encontrado em caminhos não-budistas e até fora de práticas religiosas. O teste para saber se uma prática ou teoria é dharma é se ela resulta em benefício durante as vicissitudes inevitáveis da vida.

Por um lado, podemos achar que a prática do dharma é difícil, exige tempo e é recheada de problemas. Por outro, se o que realmente desejamos é praticar o dharma, sentimos uma gratificação imediata. O dharma pode ser praticado a qualquer momento: em ocasiões felizes ou quando estamos doentes. Basta querer praticar. Mas se o dharma for praticado apenas como um meio para uma finalidade, algo como conseguir mais dinheiro ou fazer as pessoas gostarem de nós, então teremos caído na situação de gratificação adiada.

O que significa “praticar o dharma”? Não é uma técnica, nem somente uma meditação. Você pode desenvolver várias práticas do dharma para cada ocasião. Quando começar a compreender a riqueza e a diversidade da prática do dharma, verá que, mesmo estressado, cansado ou deprimido, poderá praticá-lo. Até quando estiver morrendo, poderá praticar o dharma. Poderá tornar-se um habilidoso mestre-cuca do dharma, utilizando suas ricas e variadas receitas para tornar cada situação uma fonte de realização e felicidade.

Quando o que você deseja é realmente praticar o dharma, descobre cada vez mais habilidade para utilizá-lo em uma variedade cada vez maior de situações. O dharma é como um medicamento: destina-se a ajudar a interromper comportamentos e atitudes habituais que impedem a capacidade da mente de se curar. Quanto mais você praticar o
dharma, mais ele revelará sua felicidade inata.

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