A perspectiva da meditação como caminho espiritual ou saúde mental

A perspectiva da meditação como caminho espiritual ou saúde mental


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A meditação como caminho espiritual ou para saúde mental - Blog Sobre Budismo

O texto a seguir é uma transcrição de uma palestra do Lama Padma Samten e foi extraído de um trecho do post Educação, Saúde e Nosso Mundo Interno no blog Bodisatva.

A meditação serve tanto para o caminho espiritual como para nós melhorarmos também as nossas condições de vida dentro de uma perspectiva de saúde emocional, saúde física, para aproveitar melhor a nossa vida humana preciosa.

Quando nós olhamos isso, a gente começa a pensar: mas o que a meditação pode efetivamente produzir? Como isso decorre, mesmo para as pessoas que não tenham necessariamente uma conexão espiritual? Como isso pode melhorar efetivamente a vida delas? Como é que isso se dá? Quando começam a perguntar assim, eu naturalmente vou responder dentro de uma perspectiva dos ensinamentos, dentro de uma perspectiva mais ampla. Essa perspectiva mais ampla a gente precisaria caracterizar: o que é isso, como a gente raciocina aí dentro. Esse raciocínio é o que a gente poderia dizer que é faixa 3, ou seja, é o raciocínio que inclui a observação do mundo sutil, do nosso mundo interno.

Para lembrá-los, faixa 1 é quando nós respondemos de forma automatizada a tudo que surge, a maior parte das pessoas atua em faixa 1. As crianças, eu acho que na sua totalidade, atuam em faixa 1. Se elas têm fome, elas choram; se os bebês estão molhados, eles choram. Eles têm uma comunicação direta. Eles não tem uma visão em faixa 2, com uma perspectiva estratégica da vida deles, por exemplo, agora eu vou olhar para o relógio e vou comer a cada duas horas e meia e vou procurar não acordar durante à noite. Eles não têm nenhum pensamento a respeito, eles simplesmente se movem; as coisas acontecem e eles reagem diretamente. Isso é chamado faixa 1, muitas pessoas operam desse modo.

Há aqueles que estão em faixa 2, ou seja, eles estão cursando uma universidade, eles têm uma visão, uma posição, eles têm uma visão estratégica e estão se movendo para obter resultado em um outro lugar. Isso é faixa 2. A característica de faixa 2 é que nós compreendemos a causalidade. Quem está em faixa 1 de modo geral não compreende bem a causalidade de suas ações. A pessoa faz uma ação e ela não percebe bem as conseqüências que aquilo tem. Ela também não é capaz de semear imaginando como que ela vai colher mais adiante, ela é mais direta, quem está em faixa 2 entende isso. Vamos pensar assim: faixa 1 seriam os caçadores, os coletores, vão lá e pegam o que está pronto; faixa 2, eles descobriram as sementes, eles semeiam, adubam, irrigam, afofam a terra e colhem muito. A agricultura é característica de faixa 2, ou seja, nós temos uma compreensão da causalidade e temos uma visão estratégica. Agora é primavera, as plantas crescem, depois tem o verão, tem o outono e depois tem o inverno. Em cada época do ano, uma condição diferente, de acordo com as regiões. É muito importante que a gente aproveite a vantagem de uma época, de tal modo que possa equilibrar as desvantagens de outras épocas. Então eu tenho uma visão estratégica. É bom terminar o telhado antes da época das chuvas, melhor não construir em barro na época das chuvas, seria complicado. Então, nós temos uma visão estratégica, a gente se organiza, isso é faixa 2.

Agora, faixa 3 vai além da causalidade. Nós vamos compreender coisas muito importantes, por exemplo, quando os cientistas olham o mundo ao redor, eles pensam, eu tenho bons olhos e vejo, no entanto, eles vêem de acordo com suas próprias teorias. Quando as teorias mudam, eles povoam seus mundos internos com outras visões. Aí eles olham a partir de outras visões internas, o mundo externo muda, ele se transforma. Então é muito maravilhoso se nós olharmos o mundo da ciência desde o início do século passado para agora, o mundo do cientista mudou várias vezes. É muito interessante perceber essa viagem interna, essa grande transformação de visão de mundo que nos leva até os dias de hoje, isso em todas as áreas do conhecimento, incluindo história. Quando eu comecei na escola, a gente falava de descobrimento do Brasil. Hoje, essa noção de descobrimento é problemática, porque aqui nunca esteve perdido propriamente, talvez a partir do descobrimento é que se perdeu. A gente vai trocando nossa visão interna e vai explicando o mundo externo de outro modo. Quando a gente critica os europeus chegando na África ou em outros lugares, mas nós somos os europeus que chegaram no Brasil, onde é que estão os nativos? Sumiram, os brancos venceram, então essa é uma perspectiva interessante.

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