A morte como combustível para a vida

A morte como combustível para a vida


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A morte como combustível para a vida

Porque nós ocidentais temos tanto medo da morte? Comento alguns pontos de vista sobre a morte com algumas pessoas e percebo que elas querem sair correndo para evitar o assunto. Devem achar que eu sou um maluco ou suicida em potencial. Ao contrário do que possam pensar, dou muito valor a vida e uso a morte como combustível para ganhar foco e não perder tempo com coisas que estão “fora dos planos”. Parafraseando Diana Corso: não poderemos ser ou fazer tudo que queremos nesta vida.

O fim é inevitável

Não podemos parar a morte, mas podemos escolher como vamos nos comportar diante da vida. Penso muito no rumo que estou dando para a minha vida e sempre que começo a perder o foco, lembro que não tenho muito tempo. Hoje tenho 26 anos e provavelmente viverei mais 4 décadas se tudo sair bem e eu não morrer antes(risos).

Não iremos viver para sempre. Essa é a doce ilusão que muitas pessoas que conheço acreditam. É engraçado vê-las comemorando o aniversário e dizendo: parabéns por mais um ano de vida. Tenho outro ponto de vista em relação ao aniversário. Nós não ganhamos mais um ano, mas sim perdemos. Não no sentido pejorativo da palavra “perder”, mas pelo simples fato de que mais um ano de vida se foi e não irá voltar.

Não sou pessimista em relação a vida, mas procuro não me iludir pensando que tenho todo tempo do mundo e que poderei fazer tudo que gosto ou ser tudo que quero. Nós não temos “todo tempo do mundo”, como dizia Renato Russo.

Tudo é impermanente

Não existe nada que conhecemos hoje que não irá acabar. No livro, O que faz você ser budista, do grande mestre Dzongsar Jamyang Rinpoche, ele explica: “Assim Sidarta descobriu que impermanência não significa morte, como geralmente pensamos; significa mudança. Tudo o que muda em relação a uma outra coisa, ainda que seja a menor das alterações, está sujeito a lei da impermanência.”

Tudo o que é composto está sujeito a impermanência, a mudança. Todas as coisas que conhecemos são interdependentes. Nada existe por si só. Vou dar um exemplo simples. Uma camiseta depende de várias coisas para existir como, tinta, linha, costura, pessoas para fabricá-las, algodão para produzir as linhas, a terra para produzir o algodão e se eu decompor todo esse processo posso ficar aqui por um bom tempo listando vários itens. Isso é a interdependência. Tudo está interligado e tudo que é interligado e composto está sujeito a impermanência.

O lado bom do fim e da impermanência

Sem a mudança não a progresso. Entender e reconhecer a impermanência é fundamental para nos libertarmos do medo e da prisão das situações e experiências. O fim pode significar o final de algo ou um recomeço, tudo irá depender do seu jeito de olhar a situação.

Espero que você encare o fim de qualquer ciclo como algo positivo, assim como eu tento fazer. Já que somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas, podemos escolher um recomeço positivo para qualquer fim.

Citações de grandes mestres


No budismo é assim: já que a morte é inevitável é melhor aproveitar a vida. E aproveitar como? Gerando lucidez.


— Lama Padma Samten


O ritmo de nossas vidas é tão febril que a última coisa em que temos tempo de pensar é na morte. Abafamos nosso medo secreto da impermanência, cercando nossa vida de mais e mais bens, de mais e mais coisas, de mais e mais confortos, só para nos tornarmos escravos de tudo isso. Todo nosso tempo e energia se exaurem simplesmente para manter coisas. […] Os efeitos desastrosos da negação da morte vão muito além da esfera individual: eles afetam o planeta inteiro. […] As pessoas do mundo moderno não desenvolveram uma visão a longo prazo. Assim, nada as refreia de saquear o planeta em que vivem para atingir suas metas imediatas, e agem com um egoísmo que pode tornar-se fatal no futuro.


— Sogyal Rinpoche

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1 comment

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  1. 1
    Gabriel_Amitabha

    Esse post me relembrou um texto:

    “As Flores brotam, e morrem…

    As estrelas Brilham, Mas um dia se

    apagarão…

    Tudo morre…

    A terra,o Sol, a Via Láctea e até mesmo todo este universo não é exceção!

    Comparado a isto,

    a vida do homem é tão breve e fugidia quanto um piscar de um olho…

    Neste curto Instante,

    os homens nascem, Riem, choram,

    Lutam, Sofrem,

    Festejam, Lamentam,

    odeiam pessoas e amam outras!

    Tudo é transitório…

    E em seguida,

    Todos caem no sono eterno chamado morte…”

    Se há muito sofrimento, também há sempre alegria e vice-versa. Até estas lindas flores algum dia irão murchar e todas as coisas vivas deste mundo não param nem por um momento. Estão sempre se movendo e mudando, esse é o maior prazer existente, a vida das pessoas é igual.

    Mas, se a morte certa espera por todos, não é a tristeza que deveria controlar a vida de todos? Enquanto se vive, não importa quantas vezes tente se alivar do sofrimento, ou quantas vezes buscam por amor e alegria e, a morte sempre acaba com tudo. Se é assim, para que um homem nasce? Não podemos fingir que não existe a morte, completa e eterna.

    Apenas não se esqueça de uma coisa:

    A morte não é o fim de tudo, a morte é o passo que leva à vida seguinte. A morte não é algo definitivo. No passado todos aqueles que nasceram neste mundo, mas foram chamados de santos, todos puderam superar a morte, se entender isso se tornará o homem mais perto de Deus.

    As flores nascem e depois murcham… as estrelas brilham, mas algum dia se extinguem…. comparado com isso, a vida do homem não é nada mais do que um simples piscar de olhos, um breve momento. Nesse pouco tempo, as pessoas nascem, riem, choram, lutam, são feridas, sentem alegria, tristeza, odeiam alguém, amam alguém.

    Tudo isso em um só momento.
    Shaka de virgem

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