A Confiança Baseada no Ensinamento

A Confiança Baseada no Ensinamento


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A fé religiosa não é uma simples crença auto-complacente. Ela deseja ser confirmada pelo Ensinamento. Simplesmente dizer “eu creio”, não é suficiente, “eu creio” deve ser confirmado pela autoridade da doutrina. Se minha fé é verdadeira, ela tem que ser confirmada pelo ensinamento do iluminado; e se este ensinamento é realmente verdadeiro além de ser investido com Autoridade tradicional, ele tem que ser confirmado por minha experiência interior. Se houver um conflito entre a fé e a doutrina, isso quer dizer que: ou a Fé não tem fundamento sólido e valor permanente, sendo uma agitação momentânea do ardor da alma; ou a doutrina não possui nenhum elemento, seja de valor ou de eternidade nela, a autoridade que lhe é convencionalmente atribuída é puramente formal e superficial. Quando ambas são genuínas, existe a harmonia perfeita entre elas e confirmam-se uma à outra. Ambas testemunham a verdade uma e eterna.

Shinran (1173-1262); o fundador do Shinshu, procurou a confirmação da sua Fé no ensinamento da Sakiamuni. De fato, o KYO-GYO-SHIN-SHO (Doutrina-Prática-Fé-Realização), o texto fundamento do Shinshu, que foi escrito por Shinran, é uma coletânea de cento e quarenta e três passagens coletadas dos vinte e um sutras em que Shinran encontrou sua fé totalmente confirmada. Além do mais sua confirmação estava também no ensinamento do seu próprio mestre Honen.

No Tannisho (Tratado de Lamentação das Heresias), compilado por Yuienho, um de seus discípulos, Shinran declara: “no que se refere a mim Shinran não tenho outra alternativa além de crer no que meu mestre me ensinou: deixe sua libertação com Amida, pronunciando o Nembutsu com simplicidade de coração. Se o Nembutsu é verdadeiramente a causa de meu nascimento na Terra Pura ou se é ato que me levará ao inferno, eu não sei nada a esse respeito. Mesmo que eu tenha sido enganado por Honen-shonin e tenha que ir para o inferno por recitar o Nembutsu, eu não tenho nada a lamentar. E pela seguinte razão: se eu, sendo capaz de atingir o Budato pelo esforço em outras práticas que não o Nembutsu, fosse para o inferno por pronunciar o Nembutsu, então haveria uma razão para me lamentar de haver sido enganado; mas não sou capaz de nenhuma prática na verdade e assim o inferno será minha última morada de qualquer forma. Se o Voto Original de Amida é verdadeiro, o ensinamento do Buda Sakiamuni não pode ser falso. Se o ensinamento de Buda Sakiamuni é verdadeiro, os ensinamentos de Zendo não podem ser falsos. Se o ensinamento de Zendo é verdadeiro como pode ser falso aquilo que Honen me ensinou? Se o ensinamento de Honen é verdadeiro não posso dizer que aquilo que eu Shinran digo é verdadeiro?

Enfim esta é a minha fé. Assim é um problema seu se você aceita o Nembutsu ou tem fé nele, ou se você o rejeita. Nisso nós vemos como a experiência espiritual de Shinran se harmoniza não só com o ensinamento de Sakiamuni, mas também com o do seu mestre Honen. Quanto à doutrina deixa de ser considerada como algo exterior à vivência interna ela se torna de uma vez o princípio vivo da conduta; e quando a conduta é liberada da coerção e se torna o movimento livre e natural do espírito, a alegria expressa-se através do trabalho cotidiano.

No Shinshu os três Sutras seguintes são considerados como a fonte primeira do ensinamento.

1. O grande Sutra Sukhavati-Vyuha: neste sutra é apresentado o discurso de Sakiamuni no Gridhakuta em Rajagriha em benefício de Ananda e Maytreia que se refere à magnificência da Terra Pura de Amida e seu Voto Original de salvar todos os seres. O Sutra foi Traduzido para o Chinês por Sanghariarinan no ano 252 D.C. O texto chinês é chamado Daí-Muryo-Jukyo (sobre a vida eterna).

2. O Amitayur-dhyana Sutra (Contemplação do Buda da Vida Ilimitada) ele apresenta o sermão de Sakiamuni no palácio real de Rajagriha, que foi proferido para esclarecer Ananda e a rainha Vaidehi sobre a possibilidade de todos os seres renascerem na Terra Pura e atingirem a vida eterna. Ele foi traduzido para o Chinês por Kalayasa no ano 424 A.C. O título do texto chinês é Kanmuryoyukyo (Contemplação do Buda da Vida Ilimitada).

3. O pequeno Sutra Sukhavati Vyuha: ele apresenta o que Sakiamuni pregou a Sariputra no jardim de Anatapindada, Saranasti, sobre a Terra Pura e as maravilhosas virtudes de Amida. Kumarajiva traduziu-o para o chinês no ano de 402 D.C. Amida-Kyo (sobre Amida) é o título do texto chinês.

Existiram muitos predecessores de Shinran, indianos, chineses e japoneses, que como ele expuseram o verdadeiro (Shin) ensinamento de libertação pela fé e desses o Shinshu considera os seguintes sete patriarcas como os que mais contribuíram para o desenvolvimento da doutrina: Ryuju (Nagarjuna, 150-250) e Tenjin (Vasuhandhu, 320-400) na Índia, Donran (T’an Luan, 476-542), Doshaku (Tão Ch’ao, 562-645) e Zendo (Shan-Tao, 613-681) na China, Gueshin (942-1017) e Genku (1133-1212), conhecido popularmente como Honen no Japão.

Rev. Kenryo Kanamatsu (extraído do livro NATURALIDADE)

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