A Ansiedade de Meghiya

A Ansiedade de Meghiya


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A ansiedade é um dos males de nossa época. Essa mistura de medo, preocupação, agitação e desconforto se infiltra na vida das pessoas mesmo muito cedo e, não controlada, pode levar a crescentes danos no funcionamento social, familiar e psicológico. A ansiedade não é, entretanto, um fenômeno exclusivamente moderno. Epíteto, na Grécia Antiga, já havia refletido que os “homens são perturbados não pelos eventos, mas por sua opinião sobre os eventos”, uma conclusão que muito provavelmente seria elogiada pelo Buddha.

Bem antes de Ānanda se tornar o atendente do Buddha, vários monges ocuparam, com variável êxito, a posição de atendente. Uma deles foi Meghiya, um sākya da região de Kapilavatthu. Quando Meghiya voltava da ronda de alimentos ele passou por um adorável campo de mangueiras que muito o impressionou. De volta para onde estava o Buddha, Meghiya pediu a ele que fosse dispensado das funções de atendente a fim de meditar no campo de mangueiras.

O Buddha estava a par de que Meghiya ainda não tinha uma mente cultivada a ponto de ser capaz de meditar sozinho por um período prolongado. Ademais, havia tarefas a serem cumpridas. Meghiya, porém, era alguém ansioso. A partir do momento em que o pensamento sobre sua futura adorável meditação entrou em sua mente, ele já não conseguia pensar em mais nada. Ele insistiu para ir. E insistiu. E insistiu. Com algumas pessoas teimosas não resta muito o que fazer, a não ser deixar que elas sigam suas vontades e aprendam com seus enganos.

E foi assim que Meghiya foi realizar seu sonho para, apenas pouco tempo depois, voltar choroso ao Buddha, pois no curto tempo em que havia ficado sozinho, pensamentos perturbadores e prejudiciais o assolaram todo o tempo, tornando completamente inúteis seus esforços para meditar.

É nessa ocasião que o Buddha lhe ensina que:

A mente agitada e instável,
Difícil de ser protegida e controlada,
O sábio a endireita,
Como o fazedor de flechas o faz com a flecha.

Esse ensinamento ficou guardado para a posteridade como o verso 33 do Dhammapada. Quem deseja a sabedoria precisa ser como o fazedor de flechas que utiliza de cinco meios para endireitar a madeira a ser usada para as flechas. Esses cinco meios eu descrevi aqui mesmo, em A Sabedoria antes da Sabedoria. Fico feliz de informar ao leitor que Meghiya seguiu os conselhos do Buddha e acabou atingindo a libertação em relação à sua ansiedade e a muitas coisas mais.

O verso 33 do Dhammapada e vários versos seguintes são o tema de um curso online que começa esta semana. Chamo este minicurso de “Leituras Guiadas”, pois consiste de leituras e comentários, juntamente com as histórias dos versos (como este de Meghiya). Quem estiver interessado em conhecer mais pode conferir “Leitura Guiada sobre o Dhammapada – O que o Buddha tem a nos ensinar sobre a Diligência” neste link.

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