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Podcast Iluminação Diária

#311 O seu ego te dirá que você já se iluminou

#311 O seu ego te dirá que você já se iluminou

 
 
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Versão em texto do Podcast:

Olá, tudo bem? Aqui é o Leonardo Ota! 

Hoje eu quero trazer esse tema porque uma pessoa enviou uma mensagem no direct do instagram do Sobre Budismo perguntando como ela poderia saber que já se iluminou, já despertou.

Aproveito aqui para dizer que você pode enviar suas dúvidas através do nosso instagram! Fique à vontade!

Voltando ao assunto, vou responder a essa pergunta: quem vai saber se você realmente se iluminou ou despertou é seu mestre. Se nós formos contar conosco, o nosso ego vai dizer que a gente já despertou, que já estamos em um alto nível espiritual. O ego quer essa “pompa”, quer achar que somos especiais, diferenciados. É isso que nosso “eu”, que é construído, quer.

O budismo é uma tradição de mestre para discípulo. O budismo chegou até aqui, dois mil e quinhentos anos após a morte de Buda, dessa forma:  através da transmissão oral dos ensinamentos e da experiência do mestre para o discípulo. Não tem como, no budismo, a pessoa achar que vai se iluminar sozinha. 

Por que, no budismo, precisamos de um mestre?

Existem algumas pessoas que acreditam que não precisamos de um mestre, que nós somos nosso próprio mestre. Eu já vi várias páginas de espiritualidade, como da Nova Era, postar esse tipo de pensamento e dizer que nós não precisamos de alguém para nos guiar.

No budismo não há essa ideia: o próprio Buda, antes de se iluminar (ou seja, Sidarta Gautama), teve dois mestres ascetas! Imagine nós, que temos uma mente agitada, intranquila, com tantos pensamentos negativos e sentimentos ruins?

Após Sidarta atingir a iluminação e passar a ser chamado de Buda, ele ensinou seus discípulos, que se tornaram mestres e passaram a transmitir os ensinamentos a seus próprios discípulos, que também se tornaram mestres e tiveram discípulos e assim sucessivamente até o nosso tempo atual. Por isso que no budismo não existe o pensamento de você ser o seu próprio mestre.

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Os níveis de iluminação e o ego

Para saber o nível de iluminação que você se encontra, você precisa perguntar a seu mestre. Então não tem como você ser seu próprio mestre e perguntar a si mesmo! O ego sempre vai achar que estamos em um nível espiritual elevado, “arrasando”, quando na verdade estamos em um nível inferior.

Eu me recordo de um mestre que deu ensinamentos em um retiro que eu fui, do budismo tibetano. Toda vez que ele se sentava para ensinar ele estalava os dedos. Em uma ocasião alguém perguntou: “mestre, percebemos que você estala os dedos antes de ensinar, por quê?”. Então ele respondeu que, ao estalar os dedos, ele se recorda que é um ser humano e que pode cometer erros, que tem falhas, que a vida humana é preciosa e que um dia ele vai morrer. Por isso, ele não poderia sentar e ensinar com a pretensão de que ele era melhor do que os outros. 

Isso é um sinal de humildade, que o ego não traz. Eu já tive contato com vários mestres, nacionais e internacionais. Já participei de muitos retiros e ajudei a trazer mestres de países como o Butão, Índia e Nepal, como Gyalwa Dokhampa, Jetsunma Tenzin Palmo, e eu percebi a humildade de todos os mestres que conheci.

Nós necessitamos de um mestre porque ele já trilhou o caminho e pode nos dizer o nível de despertar que estamos. Muita gente pensa que a iluminação é uma só, mas na verdade há vários níveis de iluminação, mais altas e mais baixas. Sidarta Gautama, o Buda Shakyamuni, atingiu o nível mais completo, o da iluminação universal. Por isso ele não retornou mais a este mundo. 

Não tem problema você acreditar que é seu próprio mestre, está tudo bem. Só compreenda que no budismo não é assim. Todos nós, budistas, temos um mestre. Eu mesmo tive alguns mestres, atualmente meu mestre é o Monge Genshô Sensei, que tem um nível de realização espiritual mais elevado que o meu, mas não é completo como o de Buda. O Monge Genshô tem 47 anos de prática, é um missionário internacional da escola Soto Zen. 

Pense nisso:

Como eu vou chegar a um determinado nível espiritual sem a orientação de quem já atingiu esse nível?

Diferença entre professor e mestre

Há uma diferença entre professor e mestre.

O mestre implica na ideia que você é discípulo, que vai ouvir e seguir. O mestre vai falar coisas que você não vai gostar, mas que é para seu próprio bem. Ele indicará o caminho e você deverá seguir. Obviamente, você só vai seguir o que for baseado nos preceitos budistas – se o mestre pedir algo fora dos preceitos, como mentir ou roubar, você não vai fazer.

Já o professor é aquele que ensina. Se o aluno quiser aplicar ou não, não tem problema. O aluno pode ou não concordar e seguir o ensinamento.

Eu me considero um discípulo do Monge Genshô, muito mais do que um aluno, embora ainda não tenha me oficializado em uma cerimônia. 

Eu aspiro que você compreenda tudo o que eu disse até aqui. Se você tem outro pensamento, não tem problema. O que eu disse não é a verdade universal, é a minha experiência dentro do budismo há quase dez anos acompanhando vários mestres e professores (para mim, todos são mestres, porque eu tento seguir o que eles ensinam). 

Quero reforçar que tudo o que eu disse não está “gravado em pedra” e você pode pensar diferente, mas eu aconselho: tente, experimente! 

Até a próxima,

Leonardo Ota

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☸️Fundador do Sobre Budismo, praticante do Budismo desde 2011, venho ajudando simpatizantes e iniciantes no #Budismo a entrarem em contato com as práticas e os ensinamentos de #Buda (Dharma).

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