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    #154 – Refúgio: Emoções Perturbadoras – Parte 5

    #154 – Refúgio: Emoções Perturbadoras – Parte 5

     
     
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    O budismo fala em termos de vidas futuras e discute todo o sofrimento e coisas horríveis que podem acontecer em vidas futuras quando nós temos o que são chamadas “emoções perturbadoras” e agimos compulsivamente com base nelas e construímos potencial negativo. A apresentação budista torna claro que isto é terrível e deve ser evitado se soubermos o que é bom para nós, porque o potencial negativo traz problemas e infelicidade.

    Mas, como a maioria dos ocidentais não acredita em vidas futuras ou não estão convencidos delas, podemos discutir este ponto mesmo somente em termos desta vida. Olhando nossas próprias vidas agora, se investigarmos profundamente, descobriremos que a fonte real de nossos problemas emocionais é interna. Os fatores externos são somente as circunstâncias que os provocam. De fato, são as emoções perturbadoras – nossa raiva, apego, ganância e assim por diante, que roubam nossa paz mental e felicidade. Elas é que estão impedindo que usemos as boas qualidades que temos. Podemos tentar ajudar alguém e esta é uma boa qualidade, mas então começamos a nos irritar com ele. Nós tentamos dar bons conselhos, mas não aceitam ou discutem conosco e perdemos nossa paciência. Estas emoções perturbadoras impedem que ajudemos verdadeiramente alguém.

    Isto é especialmente difícil quando está acontecendo com nossos filhos, quando estamos perdendo nossa paciência e começando a nos irritar com eles, quando pensamos saber o que é melhor para eles e não fazem o que dizemos para fazer. Isto cria um relacionamento muito difícil com nossos filhos, não? O ponto é notar que se não fizermos algo sobre isto, somente irá piorar cada vez mais. Talvez possamos nos tornar um pouco mais maduros ao envelhecermos pois não temos mais tanta energia, mas isso não significa que nossa raiva e estes tipos de coisas partem por si sós. Essas coisas não acabam.

    O termo que é usado no budismo para o que precisamos desenvolver com relação a estas expectativas é “medo.” Mas o “medo” é uma palavra difícil na maioria de nossas línguas. Não tem uma boa reputação. Às vezes eu prefiro a palavra “temor”, mas não é assim fácil traduzí-la em outras línguas. O “temor” tem mais a conotação de “Eu realmente não quero que isto aconteça.” Por exemplo, temos que ir a uma reunião realmente chata de trabalho. Não é que estejamos com medo da reunião, mas tememos ir. Nós realmente não queremos fazê-lo.

    Mas, para ser mais precisos, devemos diferenciar dois tipos de medo, se estamos falando sobre o medo de renascimentos horríveis no futuro ou medo de uma velhice miserável ou medo de qualquer coisa. Há o medo que faz com que não vejamos nenhuma saída e nos sintamos impotentes e inúteis. Isso nos deixa bastante paralisados, não é? Eu penso que é um tipo insalubre de medo, embora frequentemente o experimentemos. Mas o tipo de medo que é discutido no contexto do refúgio tem um sabor completamente diferente de medo, porque vemos que há uma maneira de evitar os problemas. Consequentemente, não é impossível e nós não somos de forma alguma impotentes. Mas, como eu disse anteriormente, não é que haverá algum poder transcendental ou ser que irá nos salvar de nossa situação temerária e tudo que temos que fazer é rezar bastante e estaremos livres e salvos de nosso medo.

    O ponto é que podemos, de certa forma, nos proteger. Que é que nos permitirá evitar todos os problemas que enfrentamos na vida? O que torna isso possível? No contexto maior, é o fato de que todas estas emoções perturbadoras que causam problemas – nossa raiva, ganância, apego, etc. – tudo brota da confusão sobre a realidade. Todas estas emoções perturbadoras não são realmente uma característica inata da mente. Podem ser removidas para sempre, de modo que nunca retornem. A Jóia do Dharma indica que podem ser “verdadeiramente bloqueadas.”

    Os ensinamentos acima são do Prof. Alex Berzin

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    #153 – Refúgio: As bases instáveis dos objetivos mundanos – Parte 4

    #153 – Refúgio: As bases instáveis dos objetivos mundanos – Parte 4

     
     
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    Há muitos outros assim ditos “objetivos mundanos” mencionados no budismo além de ter muito dinheiro. A palavra “mundano”, “worldly”, entretanto, tem uma conotação negativa em inglês e parece quase um julgamento. Esse não é o ponto. Meu professor, Serkong Rinpoche, explicou que as duas sílabas da palavra tibetana traduzida como – “mundano” – jig-ten– revelam a verdadeira conotação. Implicam algo com uma base (ten) que irá ruir (jig). Se estivermos perseguindo um objetivo que irá desmoronar, obviamente não pode trazer-nos felicidade duradoura. Somente trará mais problemas, porque não tem nenhuma fundação firme.

    Por exemplo, suponha que nosso objetivo na vida é ter uma família maravilhosa, ter muitos filhos, supondo que tomarão conta de nós em nossa velhice e seremos tão felizes e seguros. Bem, isso não funciona sempre assim idealmente, funciona? Um outro exemplo é aspirar ser famoso. Quanto mais famosos nos tornemos, mais as pessoas incomodam a gente e tentam pegar nosso tempo. Podemos olhar para as estrelas de cinema que não podem nem mesmo ir para a rua sem estar usando algum tipo de disfarce porque as pessoas atacam-nas e querem rasgar partes de sua roupa e coisas do gênero. É realmente um inferno ser um superstar.

    Se olharmos seriamente para nossas vidas, apenas ter algum tipo de situação material confortável ou um arranjo emocionalmente confortável com aqueles à nossa volta não vai realmente fundo o bastante em termos de ajudar-nos a superar todos nossos problemas na vida. Isto é porque enquanto tivermos raiva, apego, ganância, ciúme, arrogância, ingenuidade e todos estes tipos de coisas, ainda teremos problemas, não importa o quão bem sucedidos estejamos num nível por assim dizer “mundano”.

    Os ensinamentos acima são do Prof. Alex Berzin

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    #152 – Refúgio: Tendo uma meta significativa na vida – Parte 3

    #152 – Refúgio: Tendo uma meta significativa na vida – Parte 3

     
     
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    Que tipo de meta poderíamos por em nossas vidas? Geralmente definimos essa meta em termos da situação insatisfatória em que nos encontramos atualmente e da qual queremos de algum modo sair, adicionando esse objetivo na nossa vida. No nível mais fundamental, poderíamos dizer que todos querem ser felizes e ninguém quer ser infeliz. É como um dado axioma no budismo, e há alguma verdade biológica nisso. Queremos evitar a dor. Queremos evitar o sofrimento. Queremos evitar a dificuldade. Até mesmo insetos e vermes querem isso, não? Este é nosso objetivo.

    A questão é: qual a quantidade de sofrimento ou descontentamento que estamos observando? Será que nosso objetivo não somente abarca este problema, mas abarcaria todos os outros problemas que temos também? Por exemplo, nosso problema poderia ser que somos pobres, em dificuldade econômica e assim nosso objetivo é encontrar um bom trabalho e fazer muito dinheiro. Senão um bom trabalho, então talvez se transformar em um criminoso hábil e se tornar logo rico. Não importa o que, fazer de algum modo muito dinheiro. Mas, se investigarmos pessoas que têm muito dinheiro e falarmos com elas sinceramente, e elas falarem honestamente sobre suas vidas, descobriremos que não são necessariamente felizes em tudo. Nunca têm dinheiro suficiente. Não importa quantos milhões elas tenham, querem sempre mais. Nunca estão satisfeitas.

    Eu acho isso tão interessante. Há pessoas que, digamos, tinham um bilhão de dólares, mas devido às dificuldades econômicas atuais no mundo, têm agora somente a metade de um bilhão de dólares. Já não dão doações ou participam em qualquer tipo de trabalho filantrópico, pois agora têm somente a metade de um bilhão e sentem insegurança. Sentem que devem economizar e voltar a ter um bilhão antes que possam compartilhar sua riqueza com alguém. Então estão sempre olhando os relatórios do mercado de ações e se preocupando, pois talvez irão perder mais uma fração do dinheiro que tem. Podem também ter que empregar guarda-costas e outros métodos de segurança, porque estão receosos que as pessoas irão roubar as coisas de sua casa ou sequestrar seus filhos. Isto é comum entre os ricos na América Latina. Além disso, nunca sentem realmente que as pessoas são amigáveis com eles por outra razão à exceção de tentar pegar seu dinheiro. Suspeitam sempre que qualquer um que é agradável com eles está somente atrás do seu dinheiro. Obviamente, embora possam não ter o problema de ser pobres, há certamente outros problemas que vem com ter muito dinheiro.

    Os ensinamentos acima são do Prof. Alex Berzin

    Qual é a sua meta? Ampla ou estreita?

    Então deveríamos nos perguntar, qual meta eu estou traçando na vida, quais meus objetivos?

    Uma meta egoísta é de apenas você superar o sofrimento e querer ser feliz, você pode até chegar em algum lugar, mas não vai muito longe. Uma meta mais elevada é a de superar seu próprio sofrimento e ser feliz para ter a capacidade de ajudar os outros a superar as causas do sofrimento e encontrar as causas da felicidade.

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    #151 – Refúgio: Essa é a linha divisória entre ser budista ou não – Parte 2

    #151 – Refúgio: Essa é a linha divisória entre ser budista ou não – Parte 2

     
     
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    O Prof. Alex Berzin diz:

    O Refúgio Não É Passivo

    O refúgio nas Três Jóias – os Budas, o Dharma e a Sangha – é central a todos os ensinamentos budistas. De fato, tomar refúgio é apontado como a linha divisória entre ser um budista ou não. Posto de maneira breve, o Dharma significa os métodos para trabalhar em nós mesmos e o objetivo que podemos alcançar; os Budas são aqueles que ensinaram estes métodos e alcançaram esse objetivo completamente; e a Sangha são aqueles que o alcançaram em parte. A palavra “Dharma,” de fato, significa “medidas preventivas” – etapas que seguimos para prevenir a criação de problemas para nós mesmos e possivelmente também para os outros. São etapas que seguimos para nos protegermos.

    Embora o termo original do Sânscrito traduzido geralmente como “refúgio,” sharana, signifique “proteção” e pode até mesmo ser usado como “abrigo”, temos que compreendê-lo corretamente. A conotação combina com o significado de Dharma. Não é que precisemos apenas render-nos passivamente a alguma fonte externa que nos dará proteção. No contexto budista, “tomar refúgio” é muito ativo; necessitamos fazer algo para proteger-nos.

    Considere o seguinte exemplo que meus professores usavam frequentemente. Suponha que está chovendo e há uma caverna próxima. Se dissermos apenas, “Eu tomo refúgio nesta caverna; Eu estou indo à caverna para abrigo,” e então somente ficarmos do lado de fora na chuva e continuarmos repetindo esta frase, não irá ajudar. Nós temos que realmente ir para dentro da caverna. Do mesmo modo, se somente dissermos: “Eu tomo refúgio no Buda, Dharma e Sangha e vou à eles para abrigo,” mas não vamos realmente em sua direção e os colocamos em nossas vidas, também não ajudará. Precisamos implementar o que representam para proteger-nos de problemas. É por isso que uso a terminologia “direção segura” e “dando uma direção segura para nossas vidas.”

    Para continuar com a imagem da caverna, não é o suficiente ir para dentro dela e ficar lá esperando que, agora que estamos no seu interior, isso irá de algum modo salvar-nos de todos os nossos problemas na vida, e não somente nos proteger de ficarmos molhados. O ponto é que precisamos trabalhar continuamente em nós mesmos para tentar chegar ao ideal que o Buda, o Dharma e a Sangha significam. Quando pensamos que é suficiente estar sob o abrigo do Buda, do Dharma e da Sangha é muito fácil misturar isto com uma ideia cristã de um salvador pessoal, e de que Buda de algum modo irá nos salvar. Nesse caso, Buda seria como Deus, e a Sangha como os santos. Apesar de tudo, a maioria das sociedades ocidentais tem alguma corrente subjacente de influências cristãs. Com tal pensamento, rezamos que de algum modo algum poder transcendente irá miraculosamente salvar-nos. Para usar a terminologia budista, seria como nos liberar miraculosamente de todos nossos problemas e sofrimentos.

    Se este fosse o caso, tudo que teríamos que fazer é ter um nome budista em tibetano, usar um fio vermelho, recitar algumas palavras mágicas de um mantra, rezar bastante e de algum modo seríamos salvos. Especialmente se estivermos recitando as orações e práticas em tibetano, língua da qual não compreendemos uma palavra, aí pensar que tem um poder místico ainda maior. Dzongsar Khyentse Rinpoche, um lama muito extraordinário, esteve recentemente em Berlim, onde eu vivo. O que ele disse foi realmente muito profundo. Ele disse que se os tibetanos tivessem que recitar todas suas orações em alemão, transliterado em letras tibetanas, e não fizessem absolutamente nenhuma ideia sobre qualquer coisa que estivessem dizendo, ele gostaria de saber quantos tibetanos praticariam realmente o budismo. Naturalmente, todos riram. Mas se pensarmos sobre isso, realmente é muito profundo, não é? É muito importante superar qualquer tendência que possamos ter de ver o refúgio em termos de nos oferecer algum tipo de solução mágica e mística para todos os nossos problemas e que tudo que necessitamos fazer é, em certo sentido, render-nos a um poder maior.

    A verdadeira questão envolvida aqui é: “O que estou fazendo com a minha vida?” “A minha vida está indo para algum lugar?” Muitos de nós podem ter chegado à conclusão de que nossa vida não está indo para parte alguma; parece apenas estar andando em círculos. Nós não temos que falar sobre um círculo mais profundo em termos de renascimento, e tudo isso, mas nossa vida cotidiana parece não estar indo a lugar nenhum, e parece sem sentido. Por que é que estamos vivos? Sentirmo-nos assim é um estado muito triste, não é? Não é um estado muito feliz. Precisamos, portanto, ter alguma direção significativa em nossa vida, algum tipo de objetivo ou meta. E isto é algo que precisamos pôr em nossas vidas sozinhos. É um processo ativo. Com algum objetivo ou meta significativos em nossa vida, de algum modo sabemos o que estamos fazendo. Faz-nos sentir um pouco mais seguros, um pouco mais protegidos, não?

  • Palavras de compaixão

    Meditação para trabalhar com as emoções

    Quando meditamos, estamos treinando a mente para reconhecer e aceitar as experiências do momento presente, gentilmente e sem julgamento. Isso inclui emoções de todas as descrições e, portanto, reconhecer e trabalhar com emoções é uma parte essencial do treinamento em meditação.

    Muitas pessoas se interessam pela meditação devido a sentimentos indesejáveis ​​de estresse, tristeza, ciúme, raiva, ressentimento e assim por diante. De fato, somos repetidamente levados a evitar emoções desagradáveis ​​e nos apegar a agradáveis. O Buda ensinou que nossa fixação em estados emocionais é uma fonte de sofrimento. Compreender como as emoções funcionam, o que produzem e como trabalhar com elas pode levar ao bem-estar e à liberdade.

    Na meditação, cria-se uma distância vigilante e atenta entre quaisquer emoções que surgem e nossa tendência a compreendê-las, rejeitá-las ou ignorá-las.

    Outra forma de meditar

    Em algumas formas de meditação, a consciência das emoções pode ser usada ativamente para obter uma visão direta de sua natureza e da natureza da mente que as produz, ou para promover a compaixão e uma experiência de interconexão. Na meditação sobre a bondade “metta“, a consciência e boa vontade são usadas para gerar aspirações sinceras de paz e bem-estar, tanto para nós mesmos quanto para os inúmeros seres que compartilham nosso mundo.

    Na prática

    Concentrar-se na respiração, por exemplo, estabelece as bases da estabilidade mental que apóia essa vigilância. Ou podemos observar as sensações físicas que acompanham as emoções, em vez de permitir que nossa mente seja envolvida nas histórias que as emoções provocam.

    Ou seja, treine sua mente focando na respiração até ganhar a capacidade de não se identificar com as emoções e sentimento.

    Não é uma tarefa simples, muito menos fácil, mas com a prática da meditação de respiração consciente, é possível chegar lá.

    Um passo a passo simples de aplicar

    1. Reserve alguns minutos todos os dias, comece com 3 minutos e vá aumentando aos poucos.
    2. Ao parar, respire conscientemente focando na respiração ou nas sensações do corpo e não se identificando com as emoções. No início não é fácil, mas seja paciente e constante. A persistência é a chave.
    3. Se não conseguir meditar um dia, não desanime, volte no dia seguinte.
    4. Você poderá fazer isso não apenas na sua almofada de meditação, ou em momentos específicos, mas também no intervalo do trabalho, antes de dormir ou em qualquer situação que seja possível parar por alguns minutos.
    5. Se sua prioridade for seu bem estar mental e corporal, não invente desculpas e tenha a prática como sua prioridade diária. Se você não estiver bem, não poderá cuidar de você e muito menos dos outros que ama ou aprecia.

    Vamos praticar?

    Texto inspirado no artigo do site Tricycle.

  • Podcast Iluminação Diária

    #150 – Refúgio: Um caminho seguro e significativo para a vida – Parte 1

    #150 – Refúgio: Um caminho seguro e significativo para a vida – Parte 1

     
     
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    O Prof. Alex Berzin explica:

    Tomar refúgio é a fundação para todos os ensinamentos e práticas budistas. É chamado “a porta de entrada do caminho budista.” Quando compreendemos que tomar refúgio significa trabalhar em nós mesmos, vemos que é um processo ativo de imprimir uma direção segura e significativa em nossas vidas.

    Trabalhamos em nós mesmos seguindo os métodos que Buda ensinou para livrar-nos da confusão, de emoções perturbadoras e de comportamentos compulsivos e para desenvolver todas as boas qualidades. Isto é o que todos os budas fizeram e mestres altamente realizados estão fazendo, e o que nós tentamos fazer seguindo seus passos.

    Dissipando a Confusão sobre a Finalidade da Prática Budista em Nossas Vidas

    Pediram para eu falar sobre a relevância do refúgio na vida cotidiana. Isso trouxe à minha mente o exemplo de Atisha, o grande mestre indiano que foi para o Tibete no final do décimo século. Ele foi um dos grandes mestres que ajudaram a reviver o budismo no Tibete depois de seu declínio após sua introdução inicial da Índia. A situação no Tibete naquele tempo é que havia uma grande quantidade de mal entendidos, particularmente sobre o tantra e alguns ensinamentos mais avançados.

    Não havia professores realmente qualificados. De fato, não havia professores por perto que pudessem realmente explicar as coisas mais claramente. Embora houvesse um número de textos que estivessem traduzidos, obviamente não muitas pessoas podiam ler e não haviam muitas cópias. Mesmo se soubessem ler, era muito difícil encontrar algum esclarecimento sobre o que liam.

    Para ajudar nesta situação, um dos reis do Tibete Ocidental enviou alguns estudantes muito corajosos à Índia para convidar um grande mestre budista para retornar com eles ao Tibete. Tiveram que viajar a pé, aprender as línguas e lidar com o clima.

    Muitos deles morreram ou na viagem ou quando estavam na Índia. Mas, em todo o caso, eles conseguiram convidar Atisha, este grande mestre da Índia, para voltar ao Tibete. O que ele ensinou durante os muitos anos que esteve por lá foi sobre o refúgio e karma. De fato, ele era conhecido como “o Lama do refúgio e do karma.” Este foi o nome que os tibetanos lhe deram.

    O exemplo de Atisha é bastante relevante hoje em dia. Atualmente há também muita confusão sobre o budismo e o que sua prática significa a nível cotidiano. De novo, há muitos mal entendidos sobre o tantra e outros ensinamentos avançados.

    As pessoas pulam para estas práticas com pouca ou nenhuma base nos ensinamentos budistas básicos. Imaginam que executar um ritual de certa forma mágico é o que significa praticar o budismo. Trivializando a relevância e a importância do refúgio e a diferença que faz em nossas vidas diárias, eles estão perdendo o foco.

    Não importa como nossa situação de vida possa ser, a prática budista serve para trabalhar em nós mesmos, tentando nos melhorar para sermos pessoas melhores. Não é algo que fazemos apenas em paralelo, como um passatempo ou um esporte, por talvez uma meia hora por dia, ou uma vez por semana após o trabalho em uma sessão curta quando já estamos bem cansados.

    Preferencialmente, é algo prático que tentamos fazer todo o tempo – sempre trabalhando em nós. Isto significa reconhecer nossas deficiências e boas qualidades e aprender então métodos para enfraquecer a força das primeiras e reforçar as últimas. O objetivo é eventualmente livrar-nos de todas as deficiências e compreender completamente todas as boas qualidades.

    Isto não é somente para nosso próprio benefício, embora certamente nos beneficiemos disto em termos de sermos mais felizes na vida. Isto é também para sermos mais eficazes em ajudar os outros, e desse modo para o benefício dos outros também. Isto é o que a prática budista significa. O que a torna distintamente budista são os métodos envolvidos para atingir estes objetivos; e o refúgio significa que nos voltamos para aqueles métodos e os adotamos em nossas vidas.

  • Palavras de compaixão

    Duas perguntas para aprender a lidar com o medo

    Perguntaram a nossa querida mestra Jetsunma Tenzin Palmo: Quando medito, às vezes vejo esse vazio e fico com medo. O que posso fazer a respeito disso?

    Resposta

    Não acho que seja ruim experimentar o medo. É bastante comum sentir medo quando meditamos. É o ego que está com medo de morrer. E ele está certo por ter medo porque ele vai morrer.

    O ego teme que seus jogos sejam descobertos por isso entra em pânico. Quando estamos na crista de algum novo entendimento, ele sempre entra em pânico. Mas esse pânico não é algo ruim.

    Em vez de seguir o pânico, tendo um chilique ou o que seja, podemos tentar ficar presentes no momento com aquele pânico, com uma mente muito compassiva e gentil, permitindo que o medo surja, reconhecendo, aceitando e ficando com ele.

    O importante é não tentar nos dis- trairmos dele. É natural querermos fazer alguma coisa para distrair nossa mente do medo. Mas, sempre que fazemos isso, estamos nos configurando para passar por experiências semelhantes mais vezes.

    É melhor apenas sentar em silêncio e tentar encarar o medo. Pergunte de onde ele vem e quem está com medo. Essa é uma grande pergunta a fazer se você tem medo.

    Minha experiência

    Lembro-me de algumas vezes estar de frente com emoções negativas e de querer sair correndo ou me distrair ou entreter com algo para fugir do desconforto de encarar aquilo que estava sentindo.

    Esse é o nosso primeiro impulso quando estamos sofrendo por algo, correr.

    Mas ao fazer isso, como a iluminada Jetsunma Tenzin Palmo disse, você acaba gerando o hábito de levar aquela mesma forma de lidar com os problemas para outras situações.

    Na minha experiência a melhor forma de aplicar esse ensinamento é olhar diretamente para o que está causando desconforto naquele momento.

    Fique um pouco só se possível, observe com gentileza o que você está sentindo, seja bondoso com seu desconforto.

    Se você correr dele, será pior, pois só fará com que fique escondido e aumentando com o passar do tempo.

    Ao olhar para o seu sofrimento com coragem, sei que não é fácil, mas é possível, você aprenderá a lidar com o que quer que surja dentro de você.

    Essa é uma prática muito sutil e poderosa. Vamos aplicar os ensinamentos desses grandes mestres.

    As duas perguntas chaves

    1 – DE ONDE VEM ESSE [SENTIMENTO, SOFRIMENTO, DESCONFORTO]

    2 – QUEM ESTÁ EXPERIMENTANDO ISSO?

    Vamos praticar?

  • Podcast Iluminação Diária

    #149 – Não é possível comprar a paz mental

    #149 – Não é possível comprar a paz mental

     
     
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    Sua Santidade o 14º Dalai Lama diz:

    As coisas materiais apenas facultam o conforto físico, não o conforto mental. O cérebro de uma pessoa materialista e o nosso cérebro são iguais. Assim, ambos experienciamos a dor mental, a solidão, o medo, a dúvida, o ciúme. Estes perturbam a mente de qualquer um. Removê-los com dinheiro – isso é impossível. Algumas pessoas com mentes perturbadas, com demasiado estresse, tomam medicamentos. Estes reduzem temporariamente o estresse, mas produzem muitos efeitos laterais. Não é possível comprar a paz mental. Ninguém a vende, mas todos a querem. Muitas pessoas tomam tranquilizantes, mas a verdadeira medicina para uma mente estressada é a compaixão. Por conseguinte, as pessoas materialistas precisam de compaixão.

    A paz mental é a melhor medicina para uma boa saúde. Traz mais equilíbrio aos elementos físicos. O mesmo é verdade relativamente ao dormirmos o suficiente. Se dormirmos com paz mental, então não teremos distúrbios e não precisaremos de tomar comprimidos para dormir. Muitas pessoas cuidam-se para terem uma bonita cara. Mas se estiverem irritadas, nem o uso de maquilhagem ajudará. Continuarão feias. Mas se não tiverem raiva, e sorrirem, então as suas caras se tornarão atrativas e parecerão mais inteligentes.

    Se fizermos um forte esforço na compaixão, então, quando a raiva vier, vem apenas por um momento. É como um sistema imunitário forte. Quando um vírus aparece, não causa muitos problemas. Por isso precisamos de uma visão holística e de compaixão. Então, com familiarização e análise sobre a interconectividade de todos, obteremos mais força.

    Todos nós temos o mesmo potencial para a bondade. Olhem para vós próprios. Vejam todos os potenciais positivos. Negativos também existem, mas o potencial para coisas boas também existe. A básica natureza humana é mais positiva do que negativa. A nossa vida começa com compaixão. Por isso, a semente da compaixão é mais forte do que a semente da raiva. Assim, olhem para vós de um modo mais positivo. Isto trará um humor mais tranquilo. Depois, será mais fácil quando surgirem problemas.

    Shantideva, um grande mestre budista indiano, escreveu que, quando estamos prestes a enfrentar um problema, se nós analisarmos e virmos uma maneira de o evitar ou de o superar, não há necessidade de nos preocuparmos. E se não o pudermos superar, então a preocupação não ajuda. Aceitem a realidade.