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  • Zen

    Um bom futuro

    A percepção do mundo à nossa volta se dá conforme o ambiente se apresenta e a nossa mente condicionada capta o que ela própria interpreta como realidade.

    E ainda valorizamos um certo grau de previsibilidade, esquecendo que tudo é impermanente. Tudo muda o tempo todo.

    Esperar que algo aconteça acaba sendo ilusão, retrato do nosso apego. Como então se privar deste tipo de pensamento que urge em nos enraizar, nos agarrar ao ego de novo e de novo?

    Em seu livro “Criar a Verdadeira Paz – Como acabar com a violência em si próprio e no mundo”, o poeta e monge zen Thich Nhat Hanh retrata essa condição humana de desejo de controle diante o amanhã.

    “O futuro é composto de uma única substância e essa [substância] é o momento presente. Ao cuidar do presente, você está fazendo tudo o que pode para assegurar um bom futuro”, diz o mestre vietnamita.

    No final, a fórmula primordial é não haver fórmula. Tudo é o agora o tempo todo.

  • Budismo

    Buda criou uma religião?

    Ao se deparar com a tradição budista, muita gente se pergunta se o Budismo é uma religião.

    Há quem defenda que sim e há quem defenda que ele é uma espécie de “ciência da mente”, mostrando os aspectos psicológicos do caminho do autoconhecimento e da face condicionada em que nos encontramos.

    Mas independente da resposta pronta – já que ela diverge entre as várias escolas existentes –, outra questão emerge neste contexto: afinal, o Buda histórico criou uma religião?

    Nas palavras do professor tibetano de Dzogchen, Namkhai Norbu Rinpoche, pensar assim não é muito coerente.

    “Em geral, as pessoas dizem ‘Nós estamos seguindo o Dharma’ e falam isso como um tipo de religião criada pelo Buddha Shakyamuni. Esse não é um ponto de vista correto”, diz o mestre de 78 anos.

    Siddharta Gautama, após atingir a iluminação, quis apenas espalhar luz no mundo. Não a dele, mas a do entendimento, a da não ilusão, a qual todos temos dentro de nós em particular.

    Afora, ele não tinha pretensão de montar um movimento ou uma congregação, a fim de seus preceitos seguirem adiante. Tudo foi muito espontâneo.

    “Buda nunca criou nenhum tipo de escola ou religião. Ele era um ser totalmente iluminado, alguém além do nosso limitado ponto de vista. O ensinamento de Buda é ter presença nesse conhecimento”, conclui Namkhai Norbu Rinpoche, enfatizando a essência do que foi repassado: estar presente.

  • Budismo Tibetano

    Um mestre brasileiro do Budismo dos Himalaias

    No sopé dos Himalaias, um jovem brasileiro se tornaria mestre. Na edição nº 20 do podcast Iluminação Diária, projetado pelo portal Sobre Budismo, o Lama Jigme Lhawang falou um pouco sobre seu envolvimento com o Dharma.

    Desde a primeira vez que meditou ao lado de seus pais, com apenas 5 anos de idade, até a necessidade de procurar por algo a mais na puberdade, ele já sabia que seu caminho seria rumo ao processo interior.

    Aos 15 anos, foi morar em um centro rural budista e iniciou então seus estudos com Chagdud Tulku Rinpoche, uma das maiores referências do Budismo tibetano no Brasil. Pouco depois da morte de seu mestre, foi à Índia mesmo sem saber falar inglês direito.

    Apesar da suposta barreira da linguagem, o gaúcho se adaptou bem e estudou tanto inglês quanto tibetano (ao menos, a língua coloquial), entrando em mosteiros a princípio como noviço e, na sequência, como monge iniciado.

    Em cinco anos, aprendeu a história do Budismo, o caminho do bodisatva, filosofia e lógica em tibetano e os temas principais do caminho budista, contando também com muito autoestudo, instruindo-se horas a fio em seu quarto diante dos livros e dedicando seu tempo e energia à meditação.

    Por dois meses, fez uma peregrinação pelos Himalaias com Sua Santidade Gyalwang Drukpa, junto com um grupo de alunos, e acabou ficando lá, sozinho, por mais seis meses em retiro dentro de uma caverna.

    Quando saiu, foi chamado por Sua Santidade para estudar com ele no Nepal, devido à sua abertura para o novo. Dessa forma, voltou a praticar a fundo a língua tibetana em um curso na Universidade de Katmandu, tornando-se assim tradutor/intérprete em outros cinco anos.

    E durante mais um retiro, agora atuando como tradutor de S. S. Gyalwang Drukpa e Sua Eminência Gyalwa Dokhampa, ambos os mestres o ordenaram como lama, a fim de Jigme Lhawang veicular aqueles ensinamentos da linhagem na América do Sul.

    Dito e feito: hoje ele é fundador e diretor da Comunidade Budista Drukpa Brasil, a residir em Recife, capital pernambucana.

    Confira na íntegra o papo que tivemos com o mestre brasileiro do Budismo dos Himalaias:

  • Budismo

    Não entre na fila

    Quando o nosso caminho espiritual começa a se mostrar diante de nós, sempre nos perguntamos: “O que preciso fazer para transformar a minha vida?”.

    Esta é apenas uma das inúmeras dúvidas que afligem a condição humana e, provavelmente, foi um dos questionamentos que acometeu o príncipe Siddharta Gautama, o primeiro Buda que se tem notícia.

    Além das tradicionais “Quem eu sou?”, “Para onde vamos?” e “De onde viemos?”, lá pelos idos de 560 a.C., a pauta do sofrimento sempre esteve nas cátedras do pensamento do jovem Siddharta.

    Ele chegou à conclusão de que é a visão errônea da realidade à nossa volta – e também dentro de nós – a causa primeira do nosso sofrer.

    Eis o grande ponto-chave para abrir uma porta a qual todos nós temos acesso: não há o que transformar. Esta é a resposta.

    Se tudo é perfeito do jeito que é, não há porque “entrarmos na fila”, esperando a nossa vez ou um próximo passo para o que se deseja no exterior; para o que pensamos ser as “grandes transformações” em nossa vida. Esse passo (ou salto) deve se dar para o infinito interior.

    Afinal, “todo ser tem a natureza de buda”, como disse Buda em um de seus ensinamentos, quando já não atendia mais pelo nome de Siddharta. Ele, enfim, não tinha mais nome. Ele era todas as coisas. O próprio coração das coisas. Ele era e é você.

  • Budismo

    Gentileza gera… karma

    Neste 13 de novembro foi comemorado o Dia Mundial da Gentileza. No fim das contas, a extensão desse sentimento deveria nos invadir, na verdade, por todos os dias do calendário.

    Afinal, como retrata o dito popular, gentileza gera gentileza. Ou mais: gentileza gera… karma.

    Sim, karma. Esta é uma palavra sânscrita que significa em livre tradição para o português o que chamamos de “ação”, esta força ativa que nos impulsiona na roda do dharma.

    Pensamentos, palavras e gestos se encaixam nesta perspectiva cármica. Daí a gentileza ser uma potência para o nosso karma positivo e a lei do retorno.

    Segundo Sua Santidade Dalai Lama, líder espiritual do Budismo tibetano, a nossa conduta verdadeira é quem vai definir isto.

    “A minha religião é simples: não há necessidade de templos, nem de filosofias complicadas. Minha mente e meu coração são o meu templo. A minha religião é a gentileza”, diz o Nobel da Paz, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em um de seus discursos mais compartilhados no universo virtual.

    Seja apenas gentil. Sem imperativos. Com os outros e consigo mesmo. Isso muda tudo ao nosso redor quando o fazemos com sinceridade.