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  • Terra Pura

    Impulso do karma

    Os homens são capazes de cometer quaisquer ações
    desde que impulsionados pelo Karma adequado

    Sob as circunstâncias adequadas, tudo é possível. Aprisione um homem e uma mulher em um local isolado. Ninguém será capaz de dizer o que o homem fará com ela, mesmo que seja ele um homem santo. Quase no fim da Segunda Guerra Mundial na Nova Guiné, os soldados japoneses chegaram a se alimentar de carne humana. E quanto a nós? Nós chegamos a participar com entusiasmo na Segunda Guerra Mundial. Quando o Mestre Shinran pronunciou a frase acima, ele, provavelmente com o coração trêmulo, quis dizer que a existência é tão imprevisível que não há nada que possa prever o que somos capazes de fazer.

    Nós estamos sempre condicionados a determinadas situações, momento após momento. Em outras palavras, nós estamos presentes neste mundo. Vivemos neste mundo envolvidos em relacionamentos mútuos com tudo ao nosso redor. Todas as coisas neste mundo estão continuamente se transformando e estamos envolvidos em relacionamentos mútuos com todas as coisas. No Budismo, tais relações recíprocas e dinâmicas com o mundo são chamadas do ponto de vista dos seres humanos, de afinidades.

    O Karma não consiste apenas em qualquer ação; consiste em uma relação que envolve uma ilimitada dimensão espacial e temporal. Por exemplo, até mesmo um simples ato de vestir um casaco requer a existência de uma ovelha cuja espécie existe na face da Terra desde um tempo imemorial. O fato de a ovelha ter existido na Austrália a milhares de quilômetros deste lugar; o fato deste casaco ter sido feito de sua lã; o fato da ovelha ter se alimentado das plantas o que por sua vez originou a lã; o fato das gramíneas terem crescido recebendo energia do raio do sol. Todos estes eventos  inter-relacionados mutuamente foram necessários para meu simples ato de vestir um casaco!

    Os cristãos falam do pecado original de nossos ancestrais. Dizem que o pecado foi repassado para nós, no tempo presente. Tal visão da vida tem algo em comum com o conceito budista de Karma, um termo que significa o mundo agindo sobre mim. O Karma se refere às ações do mundo. Ambos os atos, bons ou ruins são todos ações do mundo.

    Assim, a expressão: abaixo impulsionado pelo karma adequado significa que o mundo age sobre nós. A ação ocorre durante todas as vinte e quatro horas ou durante cada momento de nossas vidas. Nós, tal como somos, estamos agindo. Estamos participando ativamente do drama da história mundial. Não somente líderes individuais como Eisenhower dos Estados Unidos ou Adenauer da Alemanha, mas as pessoas anônimas, comuns nas ruas também são atores coadjuvantes e participantes ativos do drama da humanidade. O drama da história mundial consiste no conjunto do drama de cada indivíduo e não somente no corpo de uma nação de cem milhões de japoneses no fim da Segunda Guerra Mundial.

    Assim, cada decisão tomada através de nossa vontade é uma decisão tomada pela vontade do mundo. Nós achamos que tomamos decisões sem qualquer ajuda externa. Porém, na verdade estamos sempre pressionados a tomar decisões. Nossas decisões são nada mais do que a vontade do mundo que age sobre nós. Nesse sentido, não temos qualquer responsabilidade pelas nossas ações. Não é este Eu individual que decide praticar as ações. É o mundo que decide. Nós não temos que assumir nenhuma responsabilidade.

    É desnecessário ou insignificante o fato de estarmos orgulhosos de nossas boas ações. Igualmente, é desnecessário ou insignificante arrepender-se das más ações praticadas. Ambas as atitudes são ridículas. Uma atitude séria é aquela que provém da ignorância que constitui a base da existência humana e de onde se originam todas as ações do homem. Devido a essa natureza da existência, não temos que sentir responsabilidade por qualquer das ações que praticamos.

    Isso é o que chamo de Não-Eu. Esse termo se refere ao fato de que nós e o mundo somos uma unidade. O mundo é nós e nós somos o mundo. Portanto, somos seres absolutamente livres. Não-Eu significa liberdade absoluta. Essa é a liberdade que experimentamos no Budismo. A liberdade dualística que conceituamos pelo fato de pensar que “estamos” no mundo, através do controle e disciplina de nossas ações, não merece o nome de liberdade. No mundo da verdadeira liberdade não existe nenhum conflito entre o mundo e o homem. O homem e o mundo são unos.

    A frase do Tannishô é uma confissão de Shinran. Eu sou absolutamente livre. É uma confissão de que ele não é capaz em absoluto de controlar ou disciplinar a si mesmo. É a confissão de que ele é um ser humano totalmente desorganizado, irresponsável, sem qualquer sistema consistente de pensamento, iludido, imprevisível, sem saber que ações é capaz de realizar. Nesse sentido, é uma confissão de sua não-liberdade.

    A frase é o grito de Shinran de liberdade absoluta. O próprio mundo está agindo sobre ele; não há conflito entre Shinran e o mundo porque seu Eu Total foi abandonado. É o grito de que ele já não é mais o mesmo e que o mundo é ele, o seu eu é o Não-Eu. É o seu grito de que a vida, em sua perfeita harmonia, ordem e disciplina, está se manifestando no interior de seu ser.

    Submissão absoluta é liberdade absoluta. Em suma, a expressão: Os homens são capazes de cometer quaisquer ações é uma declaração de Shinran de que ele fará qualquer coisa sem nenhum receio. Eu farei qualquer coisa; sou um ser absolutamente livre. Não existe nada obstruindo o meu caminho. Nada interfere na liberdade nem existe qualquer obstrução. Shinran se posiciona aqui como um homem nu, inteiramente como ele é, totalmente ignorante do que é bem e mal.

    Shinran, que primeiramente receou pelo potencial que poderia levá-lo a praticar qualquer ação abusiva, é agora arrebatado pela sabedoria de que ele, tal como ele é, é um novo homem que renasceu num mundo de fantástica liberdade.

    Shuichi Maida (extraído do livro “Quem é o Mau? – O mau e sua salvação na ótica budista” – Ed. Nambei Honganji)

  • Zen

    O que ninguém quer ouvir, ver…

    É quase certo que ao nos aventurarmos numa prática espiritual, alimentamos muitas expectativas – duvido que uma única sequer “negativa”. Inconscientemente, podemos estar repetindo um processo sem fim de busca do “paraíso perdido” e apostamos todas as nossas fichas no novo “investimento”. Essa atitude às vezes fica estampada na face de muitos de nós ao chegarmos para nossa primeira experiência, quando a esperança de termos finalmente encontrado pelo que ansiávamos se renova uma vez mais. Não raro essa empolgação desaparece logo após a tal “experiência” (muitos julgam que já viram tudo o que havia para se ver com apenas uma pequena sessão de meditação!). Infelizmente, a realidade da prática quase sempre se mostra um “amargo” inverso do que esperávamos e a “má notícia” que a mestra Joko Beck nos traz nos excertos a seguir (extraídos de seu excelente “Nada de Especial – Vivendo Zen”, editora Saraiva, infelizmente esgotado) é que, enquanto mantivermos esta atitude, não haverá fim para a nossa decepção… a menos que comecemos a praticar de fato. E o que seria “praticar de fato”? Boa leitura. Gasshō

    A verdadeira razão da prática é servir a vida da maneira mais plena e produtiva que pudermos.

    “Se formos honestos, teremos de admitir que o que de fato queremos da prática – especialmente no começo, mas em algum grau o tempo todo – é um maior conforto em nossas vidas. Esperamos que, com uma prática suficiente, o que nos incomoda agora não nos incomode depois. Existem na verdade duas maneiras de abordarmos a prática, e que precisam ser citadas. A primeira perspectiva é o que a maioria de nós pensa que é a prática (quer o admitamos, quer não), e a segunda é aquilo que a prática na verdade é.

    “Quando agimos movidos pela primeira perspectiva, nossa atitude básica é que empreenderemos essa prática difícil e exigente porque esperamos obter determinados benefícios pessoais dela. …depois de alguns meses de prática podemos começar a sentir que fomos ludibriados caso nossa vida não tenha melhorado. Entramos na prática com uma certa expectativa ou exigência de que ela, de alguma forma, irá incumbir-se de nossos problemas. Nossas exigências básicas são que nos sintamos bem e nos tornemos felizes, que tenhamos mais paz e serenidade. Esperamos não ter mais que aturar aqueles horríveis sentimentos de contrariedade, e iremos conseguir tudo o que desejamos. Esperamos que, em vez de ser insatisfatória, nossa vida se torne mais gratificante. Esperamos ficar mais saudáveis, mais à vontade. Esperamos ter melhor controle de nossa vida. Imaginamos que seremos capazes de tratar os outros melhor sem que isso seja inconveniente.

    “Não há nada de errado em querer qualquer uma dessas coisas, mas, se pensarmos que alcançá-las é do que trata a prática, então ainda não a teremos entendido. As exigências são todas a respeito do que nós queremos: queremos ficar iluminados, queremos paz, queremos serenidade, queremos ajuda, queremos controle sobre as coisas, queremos que tudo seja maravilhoso.

    “A segunda perspectiva é bem diferente: cada vez mais queremos ser capazes de criar harmonia e crescimento para todas as pessoas. Estamos incluídos nesse crescimento, mas não somos o centro dele; somos apenas uma parte do quadro.

    “A prática diz respeito a deslocar-se da primeira para a segunda perspectiva. Existe uma armadilha inerente à prática, porém: se praticarmos bem, muitas das exigências da primeira perspectiva podem ser satisfeitas. Temos mais probabilidade de nos sentir melhor, de ficar mais confortáveis. Podemos nos sentir mais à vontade com nós mesmos. Uma vez que não estamos punindo nossos corpos com tanta tensão, nossa tendência é nos tornarmos mais saudáveis. Essas mudanças podem causar em nós a equivocada noção de que a primeira perspectiva é correta: que a prática é tornar a vida melhor para nós. Na realidade, os benefícios que auferimos pessoalmente são incidentais. A verdadeira razão da prática é servir a vida da maneira mais plena e produtiva que pudermos. E isso é muito difícil para a nossa compreensão, sobretudo a princípio.

    “Nossas atitudes centradas em nosso ego têm raízes profundas e levam muitos anos de árdua prática para afrouxá-las um pouco. E estamos convencidos de que a prática diz respeito à primeira perspectiva, de que iremos conseguir alguma coisa dela que seja maravilhosa para nós.

    “A verdadeira prática, contudo, é muito mais voltada para enxergarmos como nos ferimos e magoamos os outros com pensamentos e atos iludidos. É enxergarmos de que maneira magoamos os outros, talvez por estarmos simplesmente tão perdidos em nossos próprios pensamentos que nem sequer conseguimos vê-los. Posso saber como está indo a prática de uma pessoa vendo se seu interesse pelos outros está aumentando… A prática sempre é uma batalha entre aquilo que queremos e aquilo que a vida quer.

    “Enquanto estivermos presos na primeira perspectiva, governados pelo desejo de nos sentir bem ou em estado de graça, ou iluminados, nós precisamos ser incomodados. Precisamos ser contrariados. Um bom centro e um bom instrutor trabalham para isso. Afinal de contas, a iluminação é apenas a ausência de todo interesse ou preocupação por si.

    “A mudança da primeira para a segunda perspectiva é difícil… não acontece de um dia para outro. Ela pode ser acelerada por uma grande enfermidade ou um forte desapontamento, por uma perda grave ou outro problema sério. A prática zen é difícil sobretudo porque cria desconforto e nos coloca cara a cara com os problemas que temos em nossas vidas. Sentar em silêncio quando estamos contrariados e gostaríamos realmente de estar fazendo alguma outra coisa é uma lição que assenta pouco a pouco. Quanto mais reconhecemos o valor da prática, mais aumenta nossa motivação para praticar. Começamos a sentir algo. Ganhamos força para sentar e praticar dia após dia, para participar de sessões de um dia inteiro de prática sentada, para fazer um sesshin. 1 O desejo de fazer essa prática árdua aumenta. Lentamente começamos a compreender aquilo que meu antigo aluno (o aluno em questão estava com câncer se alastrando por todo o corpo – nota nossa) estava querendo dizer com a frase: ‘Agora eu sei o que é a minha vida’. Estamos equivocados se sentimos pena dele. Talvez ele seja um dos felizardos.”


    Sesshin (retiro silencioso), um encontro de um ou mais dias de extrema dedicação à prática do Zen. Voltar

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    Organização: Rodrigo Daien

  • Terra Pura

    Estamos todos interligados: um testemunho

    Uma linda manhã de primavera em Kyoto, dia 5 de maio de 2013.  Céu azul, sem uma nuvem sequer, sol brilhando e um friozinho acolhedor.  Levantamos cedo, eu, Rev. Jean e um amigo, Sandro para mais um tour nessa maravilhosa cidade, antes de entrarmos para os preparativos de nossa ordenação no dia seguinte.  Decidimos ir ao Ryoan-ji ver o famoso “jardim de pedras” que forma um dragão e ao Kinkaku-ji, o maravilhoso templo dourado.  Saímos cedo pois sabíamos que com aquele tempo lindo o afluxo de gente a esses dois locais turísticos ía ser grande.  Tomamos nosso café e pegamos o ônibus para o noroeste da cidade.

    Chegamos ao Ryoan-ji, o templo do dragão e fomos seguindo as pessoas pelo parque até entrar no pavilhão principal e depois ir conhecendo os aposentos do templo.  Nesse instante ouvimos o português brasileiro ser falado perto de nós.  Dois casais bem jovens, nos seus vinte e poucos, conversavam animadamente, ora andando na nossa frente, ora um pouco mais afastado.  Eram duas descendentes de japoneses e dois “gaijins”, com o perdão da expressão.

    Estavam sempre perto, mas não falamos com eles. Fomos ao Kinkaku-ji e mais uma vez os encontramos várias vezes, mesmo em um parque tão grande.

    Na hora de ir embora, uma multidão se formava no ponto de ônibus quase em frente a entrada do parque e nós três, resolvemos dar uma de brasileiros: “vamos descer a ladeira e pegar o ônibus no ponto de baixo, um antes e evitamos a confusão”. Pensamento muito egoista, confesso.  Contudo, quando descíamos a rua, avistamos uma galeria de ukyo-e (pinturas japonesas) bem moderna. Paramos e entramos para apreciar as pinturas e comprar algumas para o meu pai como lembrança da viagem. Demoramos pelo menos uns 40 minutos na loja e saímos em busca de nosso ponto de ônibus. Nesse tempo, pelos menos uns 3 já haviam passado.

    Chegamos ao ponto e ainda esperamos uns bons 15 minutos pelo transporte, que aparece praticamente vazio, o que nos permitiu nos acomodar nos assentos.  Subimos a rua e chegamos ao ponto do Kinkaku-ji que parecia ter duplicado em quantidade de pessoas, mesmo tendo vários ônibus passados já.

    Como tudo no Japão: zero confusão para entrar no ônibus, todos subiram com muita calma, mas o coletivo ficou bem cheio. Eu e Sandro cedemos nossos lugares para duas senhoras japonesas (que só faltaram levar-nos para almoçar de tanta gratidão!) e Rev. Jean ficou no assento segurando as sacolas com nossas últimas comprinhas.  Trocamos algumas palavras em português e então ouvimos uma voz feminina: “Que bom encontrar brasileiros aqui!”.  E parados no corredor ao nosso lado, os dois casais que nos “seguiram” e foram “seguidos” por nós a manhã toda.

    O percurso de 20 minutos até nosso albergue foi de muito papo e troca de informação sobre Nara, Uji, Kyoto, Tokyo. Dicas para cá, dicas para lá e nos conectamos ali mesmo nos nossos facebooks.  No retorno ao Brasil, trocamos algumas fotos e ficamos “conectados” desde então, mas sem muita interação, além de um “curtir” aqui e acolá.

    Além de meu trabalho religioso e também tenho um trabalho secular: trabalho em uma empresa de consultoria de tecnologia bem conhecida do mercado e muito grande, liderando o departamento de vendas.  Há um mês mais ou menos, meus colegas de execução de projetos estavam em busca de um razoável número de profissionais, analistas (pessoas em início de carreira) e consultores.  Como vivemos um período antagônico no mercado de trabalho em nosso país, estava complicado em achar mão-de-obra adequada, quando recorri ao Facebook, postando uma vaga de analista para meus amigos e pedindo indicações.

    Quase que imediatamente, o Juliano um dos quatro de Kyoto me chama no messenger dizendo que estava interessado na vaga e que embora tecnologia não fosse a área dele, gostaria de competir por ela, na esperança de trocar de atuação profissional.  Encaminhei o ótimo curriculum dele para meus pares para análise.

    No final de várias entrevistas, o Juliano foi aprovado, tendo seu potencial reconhecido e finalmente…. contratado!  ORa, todos sabem como é esse processo de procura de emprego tanto para o lado empregador como do empregado. Contatos, envios de muitos Curricula e uma grande batalha para que haja confiança mútua.  Mas o mais chave de tudo é NETWORKING, ou seja, se fazer conhecer e ser conhecido pelas pessoas certas nos locais certos e, claro, na hora certa.

    Resolvi contar isso aqui para vocês como uma maneira  de demonstrar na prática o que á “originação dependente” que tanto falamos no budismo.  Mais do que o karma, mas sim, as condições que são geradas por nós e pelos que nos cercam para que a realidade exista.  Alguns podem falar que o relatado acima foi o “destino”, ou que um deus “nos colocou frente a frente” ou ainda que “os astros conspiraram” para que essa conexão se estabelecesse (embora eu não consiga ver o planeta Marte e a estrela Sirius conversando sobre o tema!).   Mas não é nada disso.  Simplesmente, por mais incrível que possa parecer, nós todos fomos criando uma teia de acontecimentos sucessivos que culminou com essa conexão, fazendo com que um encontro fortuito, de 7 brasileiros dentro de um ônibus, numa manhã ensolarada de primavera, em Kyoto, pudesse alterar a carreira profissional de um deles, praticamente um ano depois… o mais incrível é que ele vai começar a trabalhar na empresa exatamente no dia que fará 1 ano que nos conhecemos: 5 de maio!

    Mas o que teria acontecido se eu tivesse resolvido tomar uma xícara de café a mais naquele dia? Ou se tivéssemos invertido a ordem dos templo (o que chegamos a discutir no café da manhã: Ryoanji ou Kinkakuji primeiro)? Se tivéssemos esperado o primeiro ônibus em frente ao templo (o Juliano e seus amigos demoraram mais que nós lá dentro)? Se meu pai não gostasse de ukyo-e e eu não tivesse entrado na galeria por causa dele?  Se eu não tivesse adicionado o Juliano no meu Facebook ou se ele ignorasse minhas postagens?  Como seria o presente hoje?

    Com esse relato, quero deixar a mensagem de que não podemos de maneira alguma desprezar o nosso presente, deixar de prestar atenção nos mínimos detalhes de nossa vida e de seus acontecimentos. Não podemos deixar de se importar com os outros e principalmente entender que nós fazemos nosso presente, nós o construímos momento a momento, segundo a segundo…

    Namu Amida Butsu

    Rev. Mauricio Hondaku

  • Nichiren

    As 6 Perfeições – Esforço

    Hoje gostaria de compartilhar com vocês outra das seis práticas budistas para Bodhisattva. Aprendemos até agora sobre a prática da caridade (leia aqui), a prática dos preceitos (leia aqui) e práticas da tolerância (leia aqui).

    O caminho budista para praticar caridade não é “dar e receber”, mas “dar e dar”. Se você continuar dando, naturalmente você terá a possibilidade de conquistar algo muito maior do que aquilo que você tem dado mesmo que você não espere nada de volta.

    O caminho budista Nichiren da prática dos preceitos é a recitação de Namu-Myoho-Renge-kyo. Então, naturalmente você vai saber o que é certo e o que é errado.

    A prática da tolerância é mudar você mesmo, em vez de tentar mudar outros. Seu verdadeiro inimigo está dentro de você, e não em qualquer outro lugar.

    Isto é o que vimos até agora.

    Esta é a vez da prática da “diligência”. Em outras palavras, “tentar”. A palavra oposta é “preguiça”. Você pode pensar que, porque o Buda disse para você tentar arduamente, você precisa de se esforçar mais, com mais firmeza e mais dificuldade. Mas, não tente nada muito difícil. “Hang Loose”, como dizemos no Havaí. Ser demasiadamente duro é um dos dois extremos, assim com ser preguiçoso.

    Houve um estudioso que estudava insetos. Quando ele estava observando o ninho das formigas, ele encontrou um fato espantoso. Num relance, todas as formigas parecem ser duras trabalhadoras. No entanto, na realidade, aproximadamente 80% das formigas são trabalhadoras e os restantes 20% são preguiçosas. O paciente estudioso recolheu as 20% das formigas preguiçosas para que apenas as 80% formigas diligentes fossem deixadas no ninho. Então, todos pensaram que o ninho seria preenchido com duras trabalhadoras. Porém das 80%, 20% das formigas ficaram preguiçosas. Por outro lado, quando ele reuniu as 20% formigas preguiçosas de alguns destes ninhos e colocou essas formigas “preguiçosas” juntas em um único ninho, surpreendentemente, o resultado foi que 80% destas formigas preguiçosas se tornaram diligentes trabalhadoras. Nosso mundo precisa de ambos os tipos de seres. Portanto, não tente o extremo. Mas, você deve dar razoáveis pequenos passos para tentar constantemente, ao invés de tentar arduamente uma única vez.

    Sua fé no Buda deveria ser assim também. Se você tentar arduamente ter uma fé como uma chama de fogo, é bom, mas o fogo não durará muito. Nosso fundador Nichiren Shonin diz que, “em vez de ter fé como fogo, você deve ter fé como a água que corre constantemente, embora a água não seja visível como fogo”.

    É difícil tentar manter a prática do Buda Darma.

    É difícil tentar manter atitudes de acordo com o Buda Dharma em nossa vida diária.

    É difícil tentar não ficar com raiva. É difícil tentar não ser ganancioso.

    É difícil tentar não ser ignorante.

    É difícil tentar ser coerente e compassivo.

    É difícil tentar sempre ser respeitoso.

    É difícil tentar manter a frequência nas cerimônias.

    É difícil tentar manter a recitação do Odaimoku quotidianamente.

    No entanto, se você tentar fizer um pouquinho por dia e continuar a fazer isto, você vai certamente ser capaz de acumular seus méritos pouco a pouco. Não tente demasiadamente. Deixe as coisas acontecerem como a água fluindo. Então, você estará mais perto da iluminação de Buda gradualmente.

    Esse é o caminho budista de se esforçar.

    *tradução de texto do Rev. Imai Shonin da Nichiren Shu Havaí
    **crédito da foto original: http://500px.com/photo/48868176/morning-alms-by-drew-hopper

  • Zen

    Os cinco tipos de zen

    Tenho observado que muitos de nós estamos com uma compreensão bastante falha sobre o que é o verdadeiro Zazen, o Shikan-taza ensinado pelo Mestre Dōgen. Assim sendo, inicio a publicação da tradução de um texto encontrado na Internet que fala dos Cinco Tipos de Zen, um ensinamento tradicional do monge Keiho Shumitsu Zenji (Kuei-feng Tsung-mi 圭峰宗密, 780-841), 5º Ancestral da escola Hua-Yen do Zen Chinês:

      Os Cinco Tipos de Zen (Gomi-no-Zen 五味禅)

    Entre os vários tipos de zen, existem alguns que são profundos e outros que são superficiais, alguns que levam à iluminação e outros que não. Diz-se que no tempo de Buda existiam 90 ou 95 escolas de filosofia ou religião. Cada escola tinha seu modelo particular de zen e cada um era levemente diferente dos outros. Todas as grandes religiões contêm um pouco de zen, uma vez que precisam de oração e a oração precisa da concentração da mente. No Japão, começando com a “Restauração Meiji”, há menos de 100 anos, e ainda acontecendo até hoje, surgiu um número de ensinamentos e disciplinas com elementos de zen. Todos esses diferentes métodos de concentração, quase ilimitados em número, surgem sob clara liderança do Zen. Melhor que tentar especificar todos eles, discutiremos as cinco principais divisões do Zen, concebida por Keiho Shumitsu Zenji (Kuei-feng Tsung-mi, 780-841), um dos primeiros mestres zen da China, cujas categorias ainda são válidas e úteis. Aparentemente esses cinco tipos de Zen pouco diferem. Entretanto, os iniciantes precisam ter em mente que em essência e proposta existem diferenças bem distintas.

      Bompu Zen

    O primeiro desses tipos é chamado Bompu, ou Zen “comum”, em oposição aos outros quatro, cada qual podendo ser pensado como um tipo especial de Zen, adequado aos objetivos particulares de diferentes indivíduos. O Zen Bompu, por ser livre de qualquer conteúdo filosófico ou religioso, é para qualquer um e para todos. É um Zen praticado meramente na crença de que pode melhorar a saúde física e mental. Uma vez que não tem efeitos danosos, qualquer um pode praticá-lo, não importando quais sejam suas crenças religiosas ou se não houver crença alguma. O Zen Bompu é destinado a eliminar doenças de natureza psicossomática e a melhorar a saúde em um âmbito geral.

    Através da prática do Zen Bompu, a pessoa pode concentrar e controlar a mente. Nunca ocorre, para a maioria das pessoas, poder controlar suas mentes e, infelizmente, esse treino básico é deixado de lado na educação contemporânea, não fazendo parte do que se chama aquisição de conhecimento. Sem isso, é difícil reter o que aprendemos porque aprendemos de forma imprópria, perdendo muita energia no processo. De fato, nós somos virtualmente mutilados, a menos que saibamos como restringir nossos pensamentos e concentrar nossas mentes. Além disso, através da prática desse excelente modo de treinamento da mente você conseguirá se perceber capaz de resistir, de forma crescente, às tentações às quais já tenha sucumbido antes e a romper as ligações que há muito prendem você à dependência. O enriquecimento da personalidade e o reforço do caráter inevitavelmente acontecem, uma vez que os três elementos básicos da mente – que são intelecto, sentimento e vontade – desenvolvem-se em harmonia. O “Sentar-se Quietamente” praticado no Confucionismo parece ter salientado principalmente esses efeitos na concentração da mente. Entretanto, ainda permanece o fato de que o Zen Bompu, embora muito mais benéfico ao cultivo da mente do que a leitura de incontáveis livros de ética e filosofia, é incapaz de resolver o problema básico do homem e de sua relação com o universo, uma vez que não consegue romper a delusão básica do homem comum como um ser distinto do universo.

      Gedô Zen

    O segundo dos cinco tipos de Zen é chamado Gedô Zen. Gedô significa literalmente um “caminho externo” e por isso implica, a partir do ponto de vista budista, os ensinamentos não budistas. Aqui temos um Zen ligado à religião e à filosofia, mas ainda não um Zen Budista. O Yoga Hindu, o “Sentar-se Quietamente” do Confucionismo, as práticas de contemplação do Cristianismo, todos pertencem à categoria do Zen Gedô. Outra característica do Zen Gedô é que ele é frequentemente praticado com o objetivo de cultivar vários poderes ou habilidades paranormais ou de dominar algumas artes além do alcance das pessoas comuns. Houve relatos de que algumas pessoas que praticaram esse Zen atingiram a habilidade de fazer os outros agirem sem lhes dizer o que fazer ou sem mexer um músculo sequer. Existe algo chamado de “Método Emma”, que tem o objetivo de alcançar tais feitos, como caminhar descalço sobre espadas afiadas ou ficar “encarando” pardais até que fiquem paralisados. Todas essas proezas maravilhosas são conseguidas através do cultivo do joriki, uma força ou poder peculiar que surge com a vigorosa prática da concentração da mente. Um zen que objetiva unicamente o cultivo do joriki para tais fins não é um Zen Budista.

    Outro objetivo para o qual o Zen Gedô é praticado é o renascimento em diversos céus. Algumas escolas praticam o Zen com o objetivo de renascer no céu. Isso não é um objetivo do Budismo Zen. Enquanto o zen-budista não briga com a ideia de vários níveis de céu e com a crença de que alguém possa renascer neles através da prática de dez tipos de ações meritórias, ele não almeja o renascimento no céu. As condições no céu são completamente prazerosas e confortáveis, e ele pode facilmente ser levado a abandonar o zazen. Além disso, quando seu mérito no céu acaba, ele pode muito bem acabar no inferno. Os zen-budistas, no entanto, acreditam que é preferível nascer no mundo humano e praticar o zazen com o objetivo final de se tornar Buda. (aguarde a parte final)

    Isshin-sensei é missionária internacional da Sōtō Zen e orientadora da sangha Águas da Compaixão.

    Texto extraído e editado do blog da sangha Águas da Compaixão, mediante autorização.

    Organização: Rodrigo Daien

  • Nichiren

    Práticas Pacíficas – parte 4

    Finalmente chegamos à quarta prática pacífica, que é fazer votos à praticar pacificamente. Todo o capítulo XIV é devotado a esta prática e inicia exatamente quando o Buda pede à congregação de monges por voluntários para espalhar os ensinamentos contidos no Sutra do Lótus neste mundo Saha depois de sua morte.

    Nós podemos pensar sobre este capítulo como uma introdução dada pelo Buda em como podemos praticar no mundo Saha e de uma maneira que nos permitirá realizar com sucesso seu desejo de que os ensinamentos contidos no Sutra do Lótus perpetuassem. Lembrando que haviam algumas pessoas na grande assembleia que queriam se voluntariar mas não estavam dispostos a fazer isto porque não queriam espalhar o Sutra do Lótus neste mundo, pois este mundo estava contaminado demais para eles. Claro que isto não foi aceito pelo Buda, pois sua principal intenção era ter o Sutra do Lótus disponível para as pessoas que mais precisavam, pessoas normais em nosso mundo.

    De fato, em muitos lugares durante a entrega das práticas pacíficas, o Buda está dizendo, ouça se você quiser ensinar o Budismo a estes grupos de pessoas realmente difíceis neste cenário realmente adverso do mundo Saha, estas são as coisas que você realmente precisa ser competente. Práticas pacíficas não são práticas que são em si mesmas tão pacíficas o quanto são práticas que fazem o mundo ser pacífico.

    Se uma pessoa verdadeiramente quer ajudar o Buda a garantir que sua mensagem seja espalhada a pessoas difíceis em tempos difíceis, então as quatro práticas são o caminho para que seja possível domar as circunstâncias e assim ser capaz de fazer como o Buda instruiu, assegurar que seus ensinamentos no Sutra do Lótus continue para além de sua vida física.

    Na última prática pacífica nós temos a prática de juramento. Gosto de pensar na prática de juramento não como um juramento de ensinar aos outros, mas como a habilidade de manter no nosso coração os juramentos do Buda. Agora os dois são os mesmos em: meu juramento pessoal em ensinar os outros e compartilhar com eles o Sutra do Lótus, e o desejo do Buda em partilhar o Sutra com todos os seres, ou seja, aparentemente é sobre compartilhar o Sutra e ensinar os outros.

    Acho que o mais importante aqui é recordar o juramento original do Buda, o juramento original de todos os Budas e fazer dele o nosso. Quando nós podemos fazer do desejo do Buda e o nosso desejo os mesmos, então nós estamos aptos a realizar nossos esforços pacificamente.

    Eu escrevi antes sobre a diferença entre ter a aparência de algo e na verdade ter este algo. Normalmente eu falo sobre o modo como Nichiren utilizava palavras duras aos praticantes de outras escolas naquela época, no Japão. Eu alerto em usar palavras duras sem ter um coração como Nichiren tinha. É algo realmente difícil agir como nosso professor sem na verdade ter profundamente erradicado nossos sentimentos egoístas e interesseiros.

    As práticas pacíficas, e esta prática de juramento estão encorajando-nos a realmente e profundamente incorporar em nossas vidas o coração e a intenção do Buda em salvar todos os seres, em possibilitar que todos os seres se tornem Budas, principalmente em primeiro lugar.

    Eu não acredito que isso seja uma questão de converter alguém ao budismo pelo Sutra do Lótus, mas sobre possibilitar a iluminação. Sim, o último objetivo do coração de todos os Budas está presente no Sutra do Lótus, mas há um caminho para o Sutra do Lótus que incluem todas as maneiras de praticar o Budismo e todos os outros Sutras. O Buda cuidadosamente e amorosamente guiou as pessoas de seu tempo e por muito tempo, passo a passo, ao seu último ensinamento.

    Se acreditarmos, como o Sutra do Lótus nos ensina, que todos os seres possuem natureza búdica, que todos os seres são fundamentalmente Budas, que a semente para a iluminação já está em cada ser, então o que é que é preciso converter? Se uma pessoa com quem estou falando já possui a natureza búdica e o potencial de se iluminar, então qual é o meu papel? Se nós olhamos por esta perspectiva, acredito que toda a conversa muda de ao invés de tentar mudar e converter alguém, em ajudar uma pessoa a enxergar a verdade para a qual podem despertar.

    Se nós verdadeiramente acreditarmos que as pessoas em nossa frente podem ser um Buda, então nossos corações deverão ter nada mais que amor, compaixão e gentileza para com eles. Eles podem até não saber nada sobre Budismo ou sobre seu potencial em ser Buda, então nosso papel deverá ser como encontramos uma maneira de tornar possível que eles despertem para este potencial que eles têm. Esta então se torna uma conversa completamente diferente e nossa abordagem com quem não acredita exatamente naquilo que acreditamos.

    Se na verdade a outra pessoa já está completa e não é de alguma maneira “deficiente”, então nossa relação muda e se torna diferente de tentar enxergar os outros como um ser que não é completo e como se fosse “deficiente”. Então a questão é que devemos ajudar as pessoas a perceberem o que elas já têm, e não o que achamos que elas precisam para serem completas ou que elas encontrem outros padrões de integridade. Estas são duas dinâmicas diferentes e dois relacionamentos diferentes. Nós precisamos estar bem atentos a esta diferença, sempre atentos que papel querendo oferecer aos outros e que papel nós pensamos que estamos exercendo.

    “Mesmo que eles não façam uma pergunta sobre este sutra, ou acreditem ou entendam este sutra, Eu guiarei eles e causarei a eles, não importa quem eles sejam, a entenderem o Dharma pelos meus poderes e pelos poderes da sabedoria quando eu realizo o Anuttara-samyak-sambodhi. Manjusri! Um Bodhisattva-mahasattva que performar este grupo de quatro práticas pacíficas após minha extinção, será capaz de expor o Dharma maravilhosamente.” Sutra do Lótus, capítulo 15.

    A prática pacífica é realizar o juramento do Buda como nosso próprio juramento. É quando nós não apenas fazemos o juramento nosso juramento, mas quando nossa vida se torna a manifestação do juramento do Buda e os dois se tornam um, então ensinar os outros sobre o Dharma neste mundo em que vivemos se tornará uma prática pacífica.

    Lembrem-se, nossos amigos e conhecidos são futuros Budas, pessoas que vivem e trabalham ao nosso lado, pessoas que não sabem da vida iluminada que existe no fundo de suas vidas. Assim como nós ainda estamos despertando, então eles irão, tornando possível o desenvolvimento de nossa iluminação. Nosso crescimento e o crescimento de nossa prática se torna então importante não apenas para o nosso próprio benefício mas para o benefício dos outros. Tenho certeza que vocês já ouviram que o Budismo é uma prática para si e para os outros. Frequentemente nós podemos pensar que a maneira de fazer isso é ensinar diretamente e converter, mas não. Fundamentalmente praticar para os outros significa praticar para nós de uma maneira em que seja possível libertar a natureza búdica nos outros em resposta de nossas próprias vidas. Este é fundamentalmente nosso desafio.

    *tradução do texto: “peaceful practice #4” do rev. Ryusho Shonin, da Nichiren Shu.
    **crédito da foto: rev. Yodo Okuda Shonin.

  • Nichiren

    As 6 Perfeições – Tolerância

    Gostaria de compartilhar com vocês sobre outra das práticas budistas dos bodhisattvas, chamadas de “Seis Paramitas”, que são “caridade, preceitos, tolerância, esforço, meditação e sabedoria” (vejam aqui). Hoje vamos falar sobre a prática da “tolerância”.

    Vamos começar revisando o que falamos até agora sobre as seis práticas dos Bodhisattva.

    Primeiro, nós aprendemos sobre a prática da “caridade”. O caminho budista de caridade não é “dar e receber”, mas “dar e dar”. Lembra? (vejam aqui) Se você continuamente agir com caridade, naturalmente vai poder conquistar algo muito maior do que aquilo que deu, mesmo que não espere nenhum retorno.

  • Zen

    O Significado da Forma no Zen

    Se você tirar a forma do Zen não é mais o Zen, é outra coisa.

    O Zen diz que o apego à forma e aos rituais é uma dificuldade. Por outro lado, quando nós entramos num mosteiro Zen, ou num centro de prática do Zen, nós vamos ver que há muita exigência quanto à forma. Mais do que em qualquer outro lugar. Pedimos que os sapatos sejam colocados lado a lado e retos, não sejam jogados de qualquer forma. O que isso significa? Significa que quem tem uma mente “desarrumada” se expressa de forma desarrumada. Então, se alguém chega a um lugar e joga os seus sapatos de qualquer jeito isso expressa uma mente não respeitosa, não disciplinada, não reverente. Então, a forma expressa essa mente.

  • Terra Pura

    Os Três Pilares

    Muitos são os que nos procuram pensando que o budismo seja uma tendinha de milagres para fazê-los melhorar de condições financeiras, curar suas doenças físicas, etc. Aqueles que procuram uma religião unicamente com esses objetivos deveriam se dirigir a outros lugares, porque o budismo não é nada disso.

  • Nichiren

    As 6 Perfeições – Preceitos

    “Higan” em japonês significa a “outra margem”. Suponha que existe um grande rio, como o Nilo ou o Amazonas, bem na sua frente. O solo da margem sobre o qual você está em pé é comparável ao mundo em que vivemos, a água do rio é como os nossos sofrimentos e a outra margem, Higan, é comparável ao mundo da iluminação do Buda. Você pode permanecer neste mundo, mas os seus sofrimentos irão permanecer também. Se você quer ser feliz, se livrar dos seus sofrimentos, terá que atravessar o rio. Mas, como você pode atravessar? Olhando ao redor, você encontrará alguns navios. Alguns desses navios são grandes e alguns são pequenos, alguns são feitos de ferro e alguns são feitos de madeira. Esses navios são chamados de “religiões”. Se não acreditar em coisa alguma, ou não querer acreditar, você pode tentar atravessar o rio nadando sozinho. No entanto, ele é muito profundo e o sua correnteza é muito forte para que seja atravessado a nado. Aliás, a outra margem é muito distante para se alcançar apenas através da natação.

    Agora, você precisa escolher um navio. Claro, você quer escolher o mais seguro, bonito, confortável e mais rápido, não é?

    Existe um enorme navio chamado Budismo. O capitão desse navio é o Buda Shakyamuni. Antes de entrar no navio, o capitão te pede duas coisas. Você deverá seguir estas duas coisas dentro da embarcação. Em primeiro lugar, ser compassivo. Em segundo lugar, ser respeitoso. E é isso. No navio, todos, não só os seres humanos, mas animais, plantas e todos os seres vivos, inclusive seres espirituais são tratados de forma igual e eles respeitam-se mutuamente.