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Podcast Iluminação Diária

#155 – Refúgio: Mente ou Atividade Mental – Parte 6

#155 – Refúgio: Mente ou Atividade Mental – Parte 6

 
 
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Quando falamos sobre a mente no budismo, sem entrarmos em grande detalhe, estamos falando sobre a atividade mental. É o aspecto individual, a atividade mental de momento-a-momento que ocorre mesmo quando estamos adormecidos. A mente refere-se ao aspecto experiencial subjetivo dessa atividade mental, enquanto a ciência de cérebro descreve sua base fisiológica. Em ambos os casos, a natureza básica dessa atividade mental não é algo que necessariamente tem que ter confusão, ou raiva, ou qualquer dessas coisas. Basicamente o que está acontecendo em cada momento é que há algum surgimento do que podemos descrever como um holograma mental. Por exemplo, de um ponto de vista físico, os fótons entram nos olhos e são traduzidos em algum tipo de impulso elétrico que vai ao cérebro através dos neurotransmissores e o cérebro de algum modo gera um holograma interno a partir disto. Isso é chamado de “ver” algo, não é? Naturalmente, isto será muito diferente se acontecer através das células de um olho humano ao contrário das células do olho de uma aranha ou do olho de uma mosca. Do mesmo modo, através de um processo similar envolvendo as vibrações que chamamos “ondas de som” experimentamos a audição. Os hologramas mentais podem ser de qualquer um dos sentidos ou apenas do pensamento.

Em termos de visão, o processo não é o mesmo que os fótons entrando em uma câmera e sendo traduzidos em alguns impulsos elétricos e então tirando um retrato. Não é o mesmo que isso porque o surgimento do holograma mental de algo é também algum tipo de “participação cognitiva” com ele. Ou você está consciente ou inconsciente, ciente ou ignora algo, mas ainda é uma forma de característica cognitiva.

A atividade mental não é também a mesma que de um computador. Pressionamos estas pequena teclas e algum impulso elétrico entra na máquina e a máquina traduz de algum modo esta entrada em uma imagem que surge em uma tela ou um som no alto-falante. Nós poderíamos dizer que o computador tem, num certo sentido, alguma consciência cognitiva, porque com inteligência artificial processa a informação. Mas um computador não é bem o mesmo que um ser vivo. O que nos diferencia de um computador é que, além disso, experimentamos algum nível de felicidade ou infelicidade associada com nossa atividade mental. Um computador não. Um computador não se sente feliz ou infeliz sobre qualquer coisa. Não está pensando: “Meu Deus, eu acabo de ter um erro interno e quando eu reiniciei, deletei o arquivo em que estava trabalhando” e sente-se infeliz por isso. Não é assim, é? Por outro lado, nós poderíamos ficar muito infelizes quando algo assim acontece.

A atividade mental de momento em momento é o que está acontecendo em cada instante de nossas vidas. Há algum tipo de surgimento de um holograma mental, algum tipo de envolvimento com ele e algum sentimento de felicidade ou infelicidade. Mesmo quando estamos com sono, o holograma pode ser de escuridão e a participação é que estamos inconscientes. Mas há ainda um pouco de consciência, caso contrário nunca ouviríamos despertador. Não está completamente fechado. Há algum tipo de sentimento, mesmo um sentimento neutro, nem feliz nem infeliz, quando não estamos sonhando. Se estamos sonhando, obviamente algum sentimento de felicidade ou de infelicidade poderia estar lá, junto com raiva, ganância e todas estas coisas. Mas estas emoções perturbadoras não são uma parte necessária deste processo completo que acontece a cada momento.

Obviamente, há muitas linhas de pensar muito complicadas que podemos utilizar para ficarmos cada vez mais convencidos da pureza básica de nossa atividade mental. Esta não é realmente a ocasião para isso. Mas quanto mais pensamos sobre isso, mais nos tornaremos convencidos de que é possível livrar-se de todo o conteúdo perturbador de nossa atividade mental.

A definição de uma emoção perturbadora é de fato: “algo que, quando surge, faz com que percamos nossa paz da mente e percamos o autocontrole”. Consequentemente, agimos compulsivamente de todas as formas perturbadoras baseados na raiva, ganância e assim por diante, e isto apenas cria muitos problemas. Por exemplo, perdemos o autocontrole e gritamos com alguém dizendo coisas sem realmente pensar e mais tarde lamentamos realmente o que dissemos. Não obstante, isto cria os assim-ditos “potenciais negativos” que nos farão sentir infelizes mais tarde.

Se realmente quisermos evitar problemas futuros em um nível mais profundo, precisamos começar a nos livrar de todas estas emoções perturbadoras e confusão. É realmente possível livrar-se delas porque não são parte da natureza inata da mente, esta atividade mental. Além disso, se pensarmos mais sobre este tipo de atividade mental que temos a cada momento, uma das características fantásticas é que é possível para essa atividade mental compreender coisas. Podemos compreender algo. Podemos também ter outras qualidades positivas, como o amor e a compaixão e assim por diante. Estas qualidades positivas são as coisas que podem ser desenvolvidas mais e mais.

Agora, qual é a diferença? Os aspectos perturbadores estão baseados na confusão. Os aspectos positivos, tais como a compreensão, estão baseados no que é realidade. Para dar um exemplo muito simples: Confusão poderia ser pensar, “Eu sou o centro do universo. Eu sou o mais importante. Eu devo sempre ser do meu jeito. Eu devo sempre ser o centro das atenções,” e assim por diante. Portanto, quando não somos o centro das atenções e se não é do nosso jeito, ficamos irritados. Como um cão, ou latimos ou rosnamos para alguém. “Você não fez isso da maneira que eu quero que seja feito.” Isso tudo está baseado em confusão. A realidade é que estamos todos aqui e somos todos iguais. Todos querem que seja do jeito deles, mas isso não é possível. A realidade é que de algum modo temos que aprender a viver com todos.

Os ensinamentos acima são do Prof. Alex Berzin

☸️Fundador do Sobre Budismo, praticante do Budismo desde 2011, venho ajudando simpatizantes e iniciantes no #Budismo a entrarem em contato com as práticas e os ensinamentos de #Buda (Dharma).

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